Foi necessário o constrangimento num debate para Doria devolver o terreno que ocupou em Campos. Por José Cássio

O debate no SBT com os candidatos à prefeitura de SP
O debate no SBT com os candidatos à prefeitura de SP

 

No debate para a prefeitura de São Paulo, realizado na tarde desta sexta-feira (23) pelo SBT, em parceria com o UOL e a Folha, quem acabou ganhando foram os moradores de Campos do Jordão. A cidade finalmente terá de volta a área de 400 metros quadrados que o tucano João Doria incorporou ilegalmente à sua mansão.

Doria havia sido condenado a devolver o terreno à prefeitura de Campos, mas insistia em manter a posse da área, até esta quinta-feira, quando a Juíza Denise Vieira Moreira, da 1° vara da comarca de Campos de Jordão, ordenou a devolução do terreno.

O processo que corre na justiça há 20 teve um final feliz para os moradores quando o tucano respondia a uma pergunta sobre os motivos de ter deixado de lado em seu programa de TV a propaganda do Corujão da Saúde, que é a utilização de instalações de espaços da rede particular de saúde durante a madrugada para diminuir a fila do setor público.

Doria reafirmou que, se eleito, vai criar o Corujão e aproveitou para responder à candidata do PSOL, Luiza Erundina, sobre a ocupação irregular na cidade serrana.

“Já mandei devolver o terreno”, anunciou, constrangido, sem mencionar que estava atendendo uma decisão judicial.

Líder nas pesquisas, o tucano foi atacado também pelo deputado Major Olímpio, candidato pelo Solidariedade.

Citando escândalos de corrupção no Metro e na merenda escolar, Olímpio perguntou se as práticas adotadas pelo Governo do Estado serviriam de modelo na sua eventual gestão na prefeitura.

Doria respondeu culpando o PT.

“O PSDB não promove a corrupção”, disse. “O PSDB apura e pune os culpados. Formação de carteis e corrupção é especialidade do partido do prefeito Fernando Haddad”.

Marta também teve de enfrentar saias-justas em pelos menos três oportunidades. Na primeira quando teve de explicar seu voto favorável à emenda constitucional do governo Temer que institui um teto para os gastos públicos por um período de 20 anos, congelando investimentos em educação e saúde.

Depois a candidata do PMDB se enrolou para justificar os motivos de esconder o neo aliado Michel Temer da sua propaganda eleitoral e por fim quando foi lembrada que Serra, Andrea Matarazzo (candidato a vice na sua chapa) e o ex-prefeito Gilberto Kassab acusaram a sua gestão de “quebrar” a cidade entre 2005 e 2008.

Celso Russomanno manteve a sua postura de personagem do humorístico “A Praça é Nossa” – aquele bobalhudo que fala, fala e fala e ninguém entende patavinas.

Os analistas políticos, ao final do encontro, disseram que ele não ganhou e nem perdeu. Saiu com ar vitorioso, portanto.

Fernando Haddad manteve sua estratégia de tentar convencer os eleitores de que a cidade está no rumo certo e que é preciso dar tempo para que as coisas se ajustem.

Como Russomanno, saiu do encontro como entrou: se não perdeu, também não ganhou nada.

Se há um vencedor no debate está é a ex-prefeita Luiza Erundina.

Agressiva no ponto certo com Doria, firme na defesa do seu legado público (“sou política e boto fé na política”), ofereceu boas ideias para temas como transporte, saúde, educação, gestão e orçamento.

Num encontro em que, mais que ganhar, a orientação dos candidatos era não perder, com exceção de Doria e Marta, todos saíram no zero a zero.

A sete dias da eleição, o quadro é de incerteza. Nenhum resultado me surpreende em dois de outubro.

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