“Eu deveria ser feliz. Gostaria de poder olhar pela janela e dizer: a vida é boa”: como Anthony Bourdain falou de sua luta com a depressão

Anthony Bourdain

O Daily News deu matéria sobre como o chef e crítico gastronômico Anthony Bourdain falou de sua batalha contra a depressão.

Bourdain se enforcou no hotel em Colmar, na França, onde estava a trabalho. Seu corpo foi encontrado nesta sexta, dia 8.

Um introspectivo Anthony Bourdain se abriu sobre sua luta para encontrar a felicidade num episódio de seu “Parts Unknown” que foi ao ar menos de dois anos antes de seu suicídio.

Em um programa de novembro de 2016 intitulado “Buenos Aires”, Bourdain participa de uma sessão de psicoterapia e admite se sentir isolado e ter problemas para se conectar com os outros.

“Eu gostaria de ser feliz. Eu gostaria de ser mais feliz”, Bourdain diz ao terapeuta. “Eu deveria ser feliz. Eu tenho uma sorte incrível. Gostaria de poder olhar pela janela e dizer: a vida é boa”.

Quando o terapeuta pergunta se Bourdain já se sentiu assim, ele responde sem hesitar: “Não.”

O chef celebridade – que foi encontrado morto sexta-feira em um quarto de hotel na França – também explicou que já se sentiu deprimido com algo tão pequeno quanto um hambúrguer ruim.

“Estou num aeroporto, por exemplo, e peço um hambúrguer”, disse ele ao psiquiatra. “É uma coisa insignificante, é uma coisa pequena, é um hambúrguer, mas não é bom. De repente, eu olho para o hambúrguer e me vejo em uma espiral de depressão que pode durar dias”.

Bourdain, que tinha 61 anos, contou de um sonho recorrente em que ficava preso num hotel de estilo vitoriano com “salas e corredores intermináveis”, do qual nunca conseguia sair.

Ele se lembrava de querer ir para casa durante o sonho, mas nunca ser capaz de lembrar onde sua casa realmente era.

“Eu me sinto como Quasimodo, o corcunda de Notre Dame – se ele ficasse em suítes de hotel com lençóis de alta qualidade, eu seria assim”, falou ao terapeuta. “Eu me sinto muito isolado”.

“Eu me comunico para ganhar a vida, mas sou péssimo na comunicação com pessoas de quem gosto. Sou bom com minha filha. Mas, além disso, eu sou realmente terrível.

Bourdain disse, no entanto, que às vezes experimentava surtos de felicidade, semelhantes ao modo como ele experimentava ondas de tristeza.

“Eu tenho alguns minutos felizes em que estou pensando: ‘Ah, a vida é muito boa'”, disse Bourdain.

Também deu detalhes sobre como mergulhou em um episódio depressivo durante as filmagens de sua viagem à Sicília em 2013.

Bourdain ficou triste depois que percebeu que uma lula morta foi jogada na água para uma cena obviamente encenada.

“Por alguma razão eu sinto algo estalar, e eu deslizo rapidamente em uma espiral de quase depressão histérica”, narrou.

Ele disse que, naquele momento, se sentiu próximo de um colapso nervoso, e “levou um longo, longo tempo após o fim deste maldito episódio para me recuperar”.

“Parts Unknown” mostrava Bourdain viajando pelo mundo para experimentar a comida e a cultura de lugares vizinhos e distantes.

Alguns episódios tinham inspiração pessoal, incluindo um em que ele foi a uma pequena cidade de Massachusetts para cobrir a epidemia de opiáceos, em que abordou seu próprio drama com o vício em heroína nos anos 80.

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