Engenheiros do Templo de Salomão contam ao DCM como foi feita a obra

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 Esta matéria foi atualizada.

O novo Templo de Salomão foi inaugurado na zona leste de São Paulo pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) no dia 31 de julho. Teve a presença de autoridades como Dilma Rousseff, Michel Temer, Geraldo Alckmin e personalidades da televisão, como os apresentadores Gugu Liberato e Sabrina Sato. Uma celebração comemorou a abertura do santuário gigantesco, ministrada pelo agora barbudo bispo Edir Macedo.

O DCM conversou com fontes ligadas à construção do Templo de Salomão e revela dados da construção. 

Padrão da Universal

A obra do Templo de Salomão começou há quatro anos, em 2010, com um andamento compatível com as dimensões da construção e cumprindo os prazos previstos para execução. O prédio segue um padrão adotado nos demais templos da Universal, com apartamentos para os pastores e bispos, um subsolo para estacionar carros e mensagens cristãs na entrada do estabelecimento, como “Deus é Fiel” e “Jesus Cristo é o Senhor”. Colunas de até 50 metros de altura decoram os arredores da instituição religiosa.

A estrutura principal é uma nave que conecta toda a igreja, onde ocorrem os cultos. O espaço abriga 10 mil pessoas, com cadeiras e um altar à frente. Atrás do local do celebrante, existe um espaço para batismos. Perto do mesmo local, nos fundos do primeiro andar, ficam escritórios de atendimento administrativos e vestiários para os funcionários da IURD.

O Templo de Salomão possui um espaço educacional para crianças aprenderem sobre os ensinamentos da Bíblia. Mas o local não é apenas um espaço religioso.

“Toda unidade da IURD possui uma televisão própria para registro dos cultos. O estúdio produz conteúdo local, que é distribuído pela rede deles. É um padrão e tivemos que construir salas adequadas para cabeamento e a transmissão ao vivo de TV e rádio”, explicou um dos engenheiros ao DCM. Eles não precisam se reportar a uma central com a infraestrutura que foi erguida no Templo de Salomão.

O Templo de Salomão também conta com berçário, creche, consultório médico, consultório odontológico, lavanderia e diversos espaços para que os fiéis possam acomodar seus familiares sem sair da instituição religiosa.

Projeto e materiais 

De acordo com as fontes ouvidas pela reportagem, a IURD utilizou cobre na cobertura da cúpula do memorial de seu novo santuário, sendo que o material convencional é zinco ou um metal inferior. As 10 mil luzes da nave onde ocorrem os cultos foram direcionadas para as cadeiras dos fieis durante os eventos religiosos.

A acústica das portas, das paredes e do teto foi trabalhada para evitar que os sons vazem para fora, diminuindo reclamações da vizinhança. Ao se fechar para a realização do culto, o fiel sentado ao fundo consegue ouvir tão bem quanto os devotos diante do bispo. O piso é de porcelanato, principalmente nos cômodos mais sofisticados do santuário.

As pedras vieram de Hebron, em Israel.

Pedreiras foram fechadas para trabalhar esse material que chegou de navio ao Brasil. Diversos elementos da cultura judaica chamam atenção no local. Na obra toda, foram utilizados cerca de 30 mil metros cúbicos de concreto, entre fundação e estrutura. A TV Record divulgou outro valor, de um milhão de metros cúbicos na obra, informação que foi contestada por nossas fontes.

templo

 

Os apartamentos do templo

Do térreo, onde está a nave em que ocorrem os cultos, erguem-se duas torres que sustentam os níveis superiores do templo. A primeira torre, o bloco A, tem 11 pavimentos, que concentram o estudo bíblico e os estúdios de rádio e televisão. No 11º andar, há uma área para os pastores que se conecta à segunda torre.

O bloco B tem oito pavimentos com acomodações. A partir do primeiro andar, há uma série de apartamentos nos três andares acima do santuário. Os locais servem tanto para receber os fiéis da IURD quanto para autoridades de outras religiões. São 50 apartamentos ao todo.

Nos andares superiores, os apartamentos são de alto nível, a maioria com três dormitórios, confortáveis para pastores e suas famílias. A Universal investe em uma infraestrutura robusta para seus integrantes.

No último andar de toda unidade da IURD é padrão existir o apartamento destinado ao sacerdote responsável.

A Universal construiu exclusivamente neste templo um espaço para o bispo Edir Macedo, no topo do Templo de Salomão, com dois andares da segunda torre – o sétimo e o oitavo. Os aposentos do líder incluem uma área de convivência interligando os quartos com jacuzzi, sauna, elevador privativo e um clube para reunir os irmãos. O bispo também tem uma sala de cinema própria, um salão de jogos, uma piscina, uma academia e até uma quadra esportiva fechada, de grama sintética.

A área residencial ainda está em obras. No subsolo fica a casa das máquinas, a central do ar condicionado e a das bombas d’água, além dos vestiários para mais funcionários da IURD. Nos mesmos níveis subterrâneos ficam os estacionamentos, com capacidade para duas mil vagas.

A engenharia cresceu com a igreja

Criada em 1977, a Universal completa 37 anos em 2014. De acordo com as fontes consultadas, as primeiras sedes tinham uma infraestrutura precária porque eram feitas por irmãos da igreja e não por profissionais. O crescimento da igreja os levou a mudar os procedimentos.

A Universal abriu uma gerenciadora com a participação preponderante de profissionais gabaritados nas áreas de engenharia no final da década de 90. Desde 1999, a igreja profissionalizou a construção de suas unidades dentro e fora do Brasil. A participação de engenheiros resultou em uma melhora na qualidade dos empreendimentos.

A postura da Igreja Universal com suas construções contrasta, por exemplo, da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, que resultou no desabamento do teto da sua unidade do bairro paulistano do Cambuci, em 2009.

“Dá gosto trabalhar com eles porque não há redução de custos por materiais mais baratos ou de qualidade duvidosa. Eles estabelecem um padrão que elimina o risco de acidentes”, informou uma arquiteta.

Os porta-vozes da IURD ouvem os aconselhamentos técnicos da equipe de engenharia. “O único problema é que a igreja exige uma enorme dedicação de quem se envolve com o planejamento e com a execução das obras”, diz.

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