Em evento de apoio a Andrea Matarazzo, havia mais gente no palanque do que na plateia. Por José Cássio

Matarazzo entre caciques do PSDB na prévia
Matarazzo entre caciques do PSDB na prévia

“Aqui não tem show business”.

O ex-governador Alberto Goldman deu a senha para um pequeno grupo de militantes gritar bem alto: “Eu vim de graça! Eu vim de graça!”

Com exceção desse momento, foi morno o encontro que encerrou a pré-campanha de Andrea Matarazzo nas prévias do PSDB na noite desta segunda, 22, no Circolo Italiano, centro de São Paulo.

No domingo, 28, ele disputa com João Doria e Ricardo Tripoli quem será o candidato do partido na eleição para a prefeitura de São Paulo. Votam os 20 mil filiados do partido na capital.

A frase de efeito não foi a única crítica de Goldman ao apoio explícito que o governador Geraldo Alckmin vem dando ao publicitário João Doria.

Em outro momento, o ex-governador disse que as prévias “não tratam de Presidência da República” – uma alusão ao discurso de que a vitória de João Doria e o seu bom desempenho na eleição municipal são o primeiro passo para viabilizar a candidatura de Alckmin a Presidente da República em 2018.

O senador Aloysio Nunes Ferreira acompanhou Goldman na chorumela. Disse que decidiu apoiar Andrea Matarazzo por conta própria, sem “consultar ninguém”, pensando apenas no partido e principalmente na cidade de São Paulo.

“Colocar a eleição presidencial agora é fracionar o partido”, criticou Aloysio. “O momento é de união e solidariedade, lembrando que o PSDB tem enorme responsabilidade com o país e com o povo de São Paulo, e o melhor para São Paulo neste momento é Andrea Matarazzo”.

Falando em nome da bancada tucana na Câmara Municipal, a vereadora Patrícia Bezerra, que é mulher do deputado estadual Carlos Alberto Bezerra, citou o histórico de Andrea Matarazzo.

“Não é alguém que precisa ‘revirar’ fotos do passado para justificar nada”, disse, referindo-se ao fato de João Doria expor em redes sociais e encontros com militantes imagens em que aparece com Montoro, Lula, Tancredo e Covas nos comícios das Diretas.

Tirando esses momentos mais picantes, o encontro revelou o que todo mundo já percebeu: mesmo com apoio dos cardeais, a candidatura de Matarazzo não empolgou a militância tucana.

Também presente, FHC fez um discurso protocolar, defendendo a união do partido e atacando o PT. “O brasileiro quer um país decente, não esse lixo que está aí”, disse. “E aqui em São Paulo o Andrea Matarazzo é o nosso candidato e o melhor para a cidade”.

Serra repetiu o mantra de FHC, enaltecendo o currículo de Andrea, que desta vez evitou falar de improviso: leu um discurso que começou com a história da sua família e terminou nas costumeiras críticas ao governo de Fernando Haddad.

Cláudia Matarazzo, uma das três irmãs do pré-candidato, disputou com o mestre de cerimônias o comando do microfone. Num momento chegaram a falar em 840 pessoas no Círculo Italiano. Mas não era preciso ser craque de IBOPE para perceber que havia mais filiados no palanque que na plateia.

 

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