E enfim tocou a Marselhesa nas Olimpíadas

O ouro para os franceses e a Marselhesa para todos nós

 

E enfim tocou a Marselhesa em Londres.

Você torce pelos franceses nas competições esportivas internacionais para poder ouvir a Marselhesa.

Duas medalhas de ouro em natação para a França, um delas particularmente notável: no revezamento masculino de 4 por 100, em que os favoritos eram os americanos, liderados por estrelas como Phelps e a nova sensação das piscinas Ryan Lochte.

Mais que um hino, a Marselhesa é um grito de guerra. Foi composta por encomenda por um capitão francês, Claude Rouget de Lisle, nos primórdios da Revolução, quando a Europa conservadora e monarquista tentava destruir os revolucionários.

A música percorreria um longo caminho até se transformar no patrimônio histórico da humanidade que é hoje. Não se chamava Marselhesa, para começo de conversa. Ganhou esse nome porque os primeiros soldados francesas a cantá-la na luta contra as forças estrangeiras foram os de Marselha. Logo foi adotada como hino pela Revolução.

Napoleão rechaçou-a ao se tornar imperador. Depois de uma série de idas e vindas, a Marselhesa retornou a seu lugar de gala em 1879, nos centenário da Revolução. De lá jamais voltaria a sair.

Rouget canta a Marselhesa, num quadro de autor desconhecido

O autor, um republicano apenas moderado, caiu na desconfiança dos revolucionários fervorosos na época do Terror, quando a guilhotina trabalhou em ritmo frenético. Foi salvo da execução por uma única razão: por ter composto a Marselhesa.

Abaixo, uma boa tradução para o português. Você nem tem que lê-la para torcer que venham mais medalhas de ouro para a França.

Avante, filhos da Pátria,
O dia da Glória chegou.
O estandarte ensangüentado da tirania
Contra nós se levanta.
Ouvís nos campos rugirem
Esses ferozes soldados?
Vêm eles até nós
Degolar nossos filhos, nossas mulheres.

Às armas cidadãos!
Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Nossa terra do sangue impuro se saciará!

O que deseja essa horda de escravos
de traidores, de reis conjurados?
Para quem (são) esses ignóbeis entraves
Esses grilhões há muito tempo preparados? (bis)
Franceses! Para vocês, ah! que ultraje!
Que elans deve ele suscitar!
Somos nós que se ousa criticar
sobre voltar à antiga escravidão!

Que! essas multidões estrangeiras
Fariam a lei em nossos lares!
Que! as falanges mercenárias
Arrasariam nossos fiéis guerreiros (bis)

Grande Deus! por mãos acorrentadas
Nossas frontes sob o jugo se curvariam
E déspotas vís tornar-se-iam
Mestres de nossos destinos!

Estremeçam, tiranos! e vocês pérfidos,
Injúria de todos os partidos,
Tremei! seus projetos parricidas
Vão enfim receber seu preço! (bis)

Somos todos soldados para combatê-los,
Se nossos jovens heróis caem,
A França outros produz
Contra vocês, totalmente prontos para combatê-los!

Franceses, em guerreiros magnânimes,
Levem/ carreguem ou suspendam seus tiros!
Poupem essas tristes vítimas,
que contra vocês se armam a contragosto. (bis)
Mas esses déspotas sanguinários
Mas esses cúmplices de Bouillé,
Todos esses tigres que, sem piedade,
Rasgam o seio de suas mães!…

Entraremos na batalha
Quando nossos antecessores não mais lá estarão.
Lá encontraremos suas marcas
E o traço de suas virtudes. (bis)
Bem menos ciumentos de suas sepulturas
Teremos o sublime orgulho
De vingá-los ou de seguí-los.

Amor Sagrado pela Pátria
Conduza, sustente nossos braços vingativos.
Liberdade, querida liberdade
Combata com teus defensores!
Sob nossas bandeiras, que a vitória
Chegue logo às tuas vozes virís!
Que teus inimigos agonizantes
Vejam teu triunfo e nossa glória.

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