“Dudu, decepção com você”: a reação das redes sociais à decisão de Eduardo Jorge de aderir a Aécio

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Num debate eleitoral, alguém comparou Luciana Genro a Eduardo Jorge. Ela recusou prontamente a comparação. Lembrou que Eduardo Jorge foi secretário de Kassab e de Serra.

Isso não tirou a aura romântica de Eduardo Jorge. Ele virou um dos campeões de jovens idealistas, ao defender causas como a legalização do aborto. Vários destes jovens disseram que o segundo turno perfeito deveria reunir Luciana Genro e Eduardo Jorge.

Dado tudo isso, não chega a ser surpresa a decepção irada com que muitos simpatizantes de Eduardo Jorge receberam a notícia de que ele decidiu apoiar Aécio Neves no segundo turno.

Nas redes sociais, você pode ler manifestações como estas sob a nota em que foi anunciada a opção:

1) “Vou entender que errei ao não ter votado em Luciana Genro.”

2) “Poxa, PV, vocês estão sendo a favor do mesmo cara que o Silas Malafaia apóia! Como pode isso? Um cara fundamentalista e outro progressista apoiarem a mesma pessoa? Makes no sense.”

3) “Eduardo Jorge, respeite seu eleitor. Aécio Neves é o pior lixo que podemos ter para o país.”

4) “Apoiar Aecio é ser a favor da liquidação que o FHC fez no Brasil, vendeu a preço de banana as estatais. Vamos retroceder muito!!! Vamos ficar neutros, será menor o prejuizo político.”

5) “Poxa, PV, vocês estão sendo a favor do mesmo cara que o Silas Malafaia apóia! Como pode isso? Um cara fundamentalista e outro progressista apoiarem a mesma pessoa? Makes no sense.”

6) “Já estão dizendo que ele apoia o PSDB. Dudu, decepção com vc. Seria melhor não apoiar ninguém do que alguém contra seus valores. Perdeu minha admiração.”

7) “Profundamente desapontada se confirmarem apoio ao Aécio. Não só desapontada como extremamente arrependida de ter votado no Eduardo Jorge no primeiro turno. A Luciana Genro e o PSOL foram muito mais dignos!”

8) “… o PV apodreceu!!!”

9) “Por favor, cancele meu pedido de me filiar a esse partido nojento. Decepção.”

10) “Carimbando sua condição de nanico e satélite. Parabéns pela escolha, seguindo Malafaia, Everaldo e Fidelix.”

11) “Nojo do PV! Que decepção! Bem que me avisaram…enganadores de m!!!!”

12) “Quem apoia o PSDB apoia o aeroporto de 14 milhões na fazenda do tio (…), apoia um candidato que se chapa e que é detido numa blitz. Então eu digo: é uma vergonha (…).”

13) “Perdeu minha admiração.”

14) “Você foi a decepção do ano.”

Havia, é claro, declarações de apoio à escolha, mas eram francamente minoritárias. O fato: acabou a lua de mel entre Eduardo Jorge e os militantes das redes sociais.

Ele não fazia ideia do desgaste que acarretaria aliar-se a Aécio para a juventude que sonha com uma sociedade mais justa?

Por incrível que pareça, aparentemente, não.

E assim cometeu o que tem tudo para ser um suicídio político. Ou, na expressão de meu saudoso amigo Mário Watanabe, uma precoce autoimolação.

Sua explicação, na nota, foi patética. Disse que o PT é marxista, e reafirmou a vocação “antitotalitária” do PV. Conseguiu definir o PSDB como um partido de esquerda, como costumam dizer os seguidores de Olavo de Carvalho. Parecia com a cabeça posta na Guerra Fria.

Marina, agora, tem uma eventual vantagem sobre EJ. Se sua equipe ler, com carinho, a resposta das redes sociais à decisão do PV, poderá refletir sobre os danos que a mesma atitude traria para ela.

Escrevi que Luciana Genro foi a grande revelação da campanha de 2014. Ela acertou em quase tudo – incluído aí o perfil vacilante de Eduardo Jorge, que representa o atraso disfarçado de novidade.

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