Dia Internacional da Mulher: Efemérides precisas e necessárias. Por Marcos Nunes

O Dia Internacional da Mulher é como tantas outras efemérides; a diferença é que há aquelas insuportáveis, como o Natal e o Ano Novo, o Dia do Papai, da Mamãe, dos Namorados, das Crianças, e toda essa série eventos em uma sociedade cujo sistema o escraviza, e há o Dia Internacional da Mulher, como também outros relevantes, valendo citar alguns deles:

Dia Mundial para a Justiça Social
Dia Mundial da Síndrome de Down
2Dia Mundial da Poesia
Dia Mundial da Água
Dia Internacional para o Direito à Verdade para as Vítimas de Graves Violações dos Direitos Humanos
Dia Mundial da Saúde
Dia Mundial do Trabalho
Dia Internacional do Orgulho Gay
Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes
Dia Mundial para a Diversidade Cultural e para o Diálogo e o Desenvolvimento
Dia Internacional para a Diversidade Biológica
Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão
Dia Mundial do Meio Ambiente
Dia Internacional dos Povos lndígenas
Dia Mundial da Ação Humanitária
Dia Mundial da Alimentação
Dia Mundial da Filosofia
Dia lnternacional das Pessoas com Deficiência
Dia Internacional dos Direitos Humanos
Dia Internacional da Solidariedade Humana
Dia Nacional da Consciência Negra

Infelizmente, entre tantos, tudo acaba por se diluir, muitos se perdem e só fazem parte das preocupações de nichos profissionais e sociais específicos, configurando datas que existem para ser esquecidas, ou somente para suavizar as enormes responsabilidades sempre negligenciadas, servindo tais datas para mitigar as culpas corporativas, de maneira que, por exemplo, o sistema financeiro pode cultivar esses eventos e até gastar dinheiro com publicidade e alguns projetos sociais no varejo, enquanto, no atacado, multiplicam os males das ações do capitalismo, tais como a degradação ambiental, humana, de minorias, extinção de espécies animais, violência social e assim por diante.

Necessitamos, claro, de todos os dias, de todas as horas, para fazer valer um conceito mais ético de uma humanidade ciente de seus limites, responsável em suas escolhas, capaz de superar preconceitos de toda ordem, prover a todos o que necessário for a vida de cada um, distribuir socialmente o que socialmente produzido é, a cada momento de nossas vidas pensar em contribuir para atingir, toda a humanidade, um grau de razão e sustentabilidade para além do antropocentrismo.

Especificamente quanto à efeméride de hoje, não repetirei o que já é corrente pelas redes sociais, com relação à quantidade de crimes contra as mulheres: estupros, assassinatos, cárceres privados, interdições sociais, etc. Pela rede afora essas mensagens correm com estatísticas pesadas, dramáticas, a expressar a crueldade de uma sociedade falocrática.

Sabemos que, no geral, o sujeito masculino é mais estúpido que o feminino. Isso tem uma razão principal, historicamente construída; quanto mais o ser humano se embrenha na linguagem e na prática do poder, mais idiota ele se torna. Daí que muitas mulheres caem na mesma armadilha, e defendem o totalitarismo sistêmico como único mundo possível.

O Dia Internacional da Mulher é um dia que nos lembra o imperativo ético de não oprimir o outro, de não construir contra o outro discursos que o reduzam a uma condição de subalternidade, um dia que coloca diante de nós o destino comum de tudo que existe – não só da humanidade, mas de todos os seres vivos, animados e inanimados, no final das contas, do todo material que configura a universalidade da vida.

Para finalizar, ouçam a música, belíssima, de Gilberto Gil, em um de seus melhores tempos.

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