Deus odeia os gays?

É a pergunta que faz um escritor, cristão e homossexual, num novo livro.

 

Jeff Chu
Jeff Chu

 

Jeff Chu é editor da revista americana Fast Company. Trabalhou também na Time e em outras publicações. Aos 35 anos, Chu é também gay. E, pois é, cristão. Tornou-se ativista e defensor do direito dos homossexuais poderem professar sua fé em Cristo sem, necessariamente, abdicar de sua sexualidade porque iriam para o inferno na sequencia.

Chu acabou de lançar um livro chamado Does Jesus Really Love Me? A Gay Christian’s Pilgrimage in Search of God in America (“Jesus Realmente Me Ama? Uma peregrinação de um cristão gay à procura de Deus na América”).

É a crônica de uma viagem de um ano, em que ele confrontou o que chama de “os demônios que ainda assombram meu coração”. Visitou dezenas de igrejas de diferentes denominações, entrevistou muita gente – fieis, populares, pastores anônimos e famosos. Esteve numa igreja homofóbica que não apenas se declara antigay, mas tem cartazes nas paredes dizendo: “Deus odeia as bichas”.

Encontrou religiosos que se casaram com mulheres ou abraçaram o celibato para não ter maiores problemas. Um deles comparou a vida de “hetero” a um gosto adquirido, como passar a apreciar azeitonas.

Seria um belo presente de aniversário para o deputado pastor Feliciano e seus amigos. A Bíblia está repleta de referências a práticas sexuais, como todo o mundo sabe. Mas, pergunta Chu, a tradução está correta? O versículo foi interpretado da maneira certa ou manipulada? Essas passagens devem ser encaradas literalmente ou são reflexões de uma cultura antiga e precisam ser adaptadas aos novos tempos? Se é para levar a sério, cegamente, tudo o que está escrito ali, por que não esse trecho: “Se dois homens estiverem brigando e a mulher de um deles, ao tentar resgatar o marido, acertar suas partes privadas, deve-se cortar a mão dela. Sem piedade”.

“Você pode distorcer a Bíblia como quiser”, ele disse para o New York Times. “Nós damos ênfase demais à moral sexual, como se Deus desse um prêmio mais alto ao que fazemos no quarto e não ao que fazemos no banco”.

Chu tem certeza de que vive de acordo com os desígnios cristãos porque considera uma arrogância saber tão facilmente o que Ele quer. Casou-se em setembro, numa cerimônia com a presença de 80 pessoas. Sua mãe e seu pai, imigrantes chineses e fervorosos presbiterianos, preferiram não dar as caras.

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