Como vai terminar a fenomenal “Breaking Bad”? O ator que faz Walter White dá as pistas

O homem mais cruel da TV está se preparando para o fim. Com a última temporada de “Breaking Bad”, o guerreiro nietszcheano Walter White está no seu caminho de volta para casa – onde quer que seja. Para Bryan Cranston, é o fim de uma viagem caleidoscópica por alguns dos territórios mais escuros já explorados na televisão.

“Nunca houve alguém como Walter White”, observa Cranston. “‘Breaking Bad’ fez o público embarcar numa viagem em que o personagem principal sofre uma metamorfose fundamental. Esse papel era o tipo de coisa com que eu nem sequer me atrevia a sonhar quando carregava caminhões para viver e simplesmente rezava para ganhar meu sustento como ator. Eu duvido que vá encontrar algum papel que vá superar Walter White. É tudo a partir daqui”.

No papel do assassino fabricante de metanfetamina, Bryan Cranston alcançou um tipo especial de reconhecimento que escapa até mesmo às maiores estrelas de cinema. Aos 57 anos, tornou-se um ícone não só para os milhões de espectadores que ficaram paralisados ​ao longo das cinco temporadas de “Breaking Bad“, mas para a indústria de entretenimento.

Ficamos todos em nossos sofás para ver que maldade Walter White vai tirar de sua caixa de ferramentas. Não que Cranston esteja disposto a divulgar qualquer coisa além de uma indicação geral de como a série terá uma conclusão “satisfatória”.

Ele ganhou três prêmios Emmy por interpretar Walter White. Antes, era conhecido como o Hal da aclamada série “Malcolm in the Middle” (2000 – 06). Mais recentemente, foi visto em filmes como “Rock of Ages”, “Total Recall”  e “Argo”. No próximo ano, estará no  blockbuster “Godzilla”, co- estrelado por  Aaron Johnson e Juliette Binoche .

Bryan Cranston vive com sua esposa, a atriz Robin Deardon, que ele conheceu em 1986, três anos antes de se casarem. Eles têm uma filha , Taylor, de 20 anos, que fez uma breve aparição em “Breaking Bad”.

O que “Breaking Bad” significou para você ?

Mudou a minha vida. Deu-me imensa satisfação pessoal e o respeito dos meus colegas. É o clássico papel-de-uma-vida, que pousou no meu colo e que você nunca poderia imaginar como foi parar lá. Todo dia, quando entro no set, eu sorrio ao ver como sou sortudo.

Vai ser difícil quando acabar?

Eu vou perder Walter, mas todas as coisas boas chegam ao fim. A série tem ido além das expectativas de todos em termos de receptividade. Eu sempre acreditei no julgamento de (o criador da série) Vince Gilligan e vou  segui-lo até os confins da terra com Walter .

Você pode nos dar algumas pistas de como tudo termina ?

Por que você quer que eu estrague as coisas??? Eu só posso dizer que, nas últimos cinco temporadas, tentei não saber como as coisas se desenrolam com antecedência. Eu preferia entender o mundo da perspectiva de Walter e tentei evitar saber exatamente o que ele vai fazer ou o que vai acontecer. Eu sempre gostei da sensação de espanto e choque da audiência ao descobrir como cada episódio se desenrolava. Eu não sou imune à experiência de querer experimentar o suspense. Eu acho que a maioria das pessoas ficará muito satisfeita com o final, mas não espere que haja qualquer resgate. Walter foi muito além disso.

Por que isso?

É como uma tragédia de Shakespeare. Estamos testemunhando a queda de um homem, apesar de suas melhores intenções. Não há nenhuma euforia ou glória que possa acompanhar este tipo de viagem. Esse não seria o caminho correto a percorrer.

"Diga meu nome"
“Diga meu nome”

Você convidaria Walter White para tomar um café em sua casa?

Não. Isso seria tóxico para mim e minha família. Eu me senti estranhamente destemido às vezes e pode ter havido algumas noites em que fui arrogante. Mas isso é decorrência de fazer um trabalho interessante.

Interpretar Walter foi parcialmente catártico para mim. Em vez de acumular tensões ou acumular feridas  purulentas do passado, eu tenho usado Walter para lidar com meus demônios. Todos nós temos alguns lados sombrios e Walter me permitiu canalizar esses tipos de sentimentos mais feios através dele.

Como você ganhou o papel?

Ele não foi escrito especificamente para mim, mas eu sei que Vince Gilligan estava pensando em mim quando estava desenvolvendo a série. Quando eu ouvi falar pela primeira vez de “Breaking Bad”, liguei para meu agente e disse a ele que conseguisse um teste o mais rápido possível. Eu queria muito o personagem. Foi provavelmente o melhor roteiro que já tinha lido. Finalmente, em vez de um teste, eu simplesmente me sentei com Vince e nosso encontro, que era para ter 15 minutos, acabou durando quase duas horas. Antes do final da nossa reunião, eu sabia que teria o trabalho.

Nos últimos anos, você já discutiu com Vince Gilligan como a série iria acabar?

É engraçado. No início de “Breaking Bad”, falamos sobre como Walter deveria andar, sua sensibilidade, isso e aquilo. Era muito assunto.

Como o passar das temporadas, eu nunca descobri o fim. Eu nunca perguntei e nunca quis saber. As voltas e reviravoltas do meu personagem eram muitas. Tornou-se, afinal, uma questão de eu não querer saber.

É verdade que você e Aaron Paul (o comparsa Jesse) leram o episódio final juntos?

Sim. A nossa reação ao ler vai ser incluída em um documentário que fará parte do lançamento do seriado em DVD.

Você falou de Walter White como uma figura trágica. Mas por que o público sente tanta simpatia por ele?

Walter era um bom sujeito. Um homem comum. Ele era um professor de química que, de repente, descobriu que tinha câncer e que provavelmente tinha dois anos de vida e não seria capaz de cuidar de sua família. Foi natural que o público se sentisse atraído por sua situação, pois poderia acontecer com qualquer um e, especialmente, com as dificuldades que as pessoas têm sofrido durante a recessão. Um monte de pessoas sofreram e continuam a sofrer.

Como é que Walter manteve essa determinação implacável de seguir o plano simples que ele começou, apesar das terríveis conseqüências?

Walter era muito ingênuo no início. Ele nunca imaginou o tipo de labirinto criminoso em que estaria entrando quando começou a sua operação de venda de metanfetamina. E então ele passou a ser outra pessoa. É um território estrangeiro. Walter lamenta, de alguma maneira, o caminho que escolheu, mas é tarde demais para ele parar. Ele reduziu a vida a instintos básicos e toma decisões de matar pessoas seguindo sua lógica brutal. Ele não consegue se desviar disso.

Ele tem salvação?

Ele não pode voltar atrás. Walter é forçado a resolver questões e tomar decisões que ele nunca esperava tomar na vida ou nunca imaginou que ele seria forçado a tomar.

Enquanto fazia “Breaking Bad“, você trabalhava em vários projetos de filmes. Você nunca tirar férias?

Eu posso me dar ao luxo de tirar um tempo de folga, mas ficaria muito ansioso. Agora que estou fazendo o que eu amo, por que iria querer dar um tempo?

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