Com uma câmera na mão, Luiza Prado faz pinturas

Luiza Prado
Luiza Prado

lei-cres-vis

 

Luiza Prado é costumeiramente chamada de fotógrafa. É a denominação mais óbvia para quem usa como ferramenta principal uma câmera fotográfica. Mas é pouco para uma artista de visão tão completa e de expressão tão especial como Luiza.

A artista gera sensações complementares, por vezes opostas no espectador. É certo que sua melhor arma é o choque, mas dentro de seu arsenal, elementos que alentam a visão podem ser notados. Uma mulher pode estar absolutamente solitária numa velha sala empoeirada, mas na vista da janela, no prédio da frente, pulsa esperançoso um amarelo inesperado.

Ou, em retratos que Vinicius de Morais poderia dizer que são de algumas das pessoas mais tristes do mundo, flores brotam, desenhadas por cima da fotografia. Ou mesmo num cenário pós-apocalíptico em que uma criança vaga solitária com uma máscara de gás que, com a ponta solta, não pode salvá-la senão de acreditar que pode sobreviver, flores em suas mãos te fazem lembrar que, bem, se em algum lugar há flores, em algum lugar há sol.

Embora a melhor arma de Luiza seja o choque, sua munição preferida são as flores. Mas as flores são também usadas como outro tipo de alegoria – elas têm cheiro de morte.

A obra de Luiza é, em geral, tão sombria quanto poderia ser. Esta não é uma arma, ou uma munição. Parece ser a verdade sob o olhar da artista. É como se ela não tivesse escolha que não retratar o mundo daquela forma. Parece que casais felizes em gramados verdes são inaceitáveis neste universo particular.

Este é um universo em que uma melancia estraçalhada no meio das pernas da modelo representa uma vagina… estuprada, talvez? Ou machucada por um pênis ou objeto enorme – quem sabe o martelo que aparece ao lado da melancia. Ou é só uma vagina como qualquer outra. Difícil acreditar é que, dentro de todo aquele contexto, aquilo seja apenas uma melancia.

É um universo onde machucados nos joelhos não aparentam ser simplesmente resultado de sexo num chão áspero por ser muito óbvio. Será que é penitência? Ou serão ambos?

É um universo em que as pessoas são estranhas, e tristes, e solitárias, e sujas, e machucadas. Ou, quem sabe, neste universo não há lugar para as personas, e as pessoas são retratadas exatamente como são, não em sua apresentação externa, mas em sua existência ali dentro. Ou talvez seja um universo onde não há o consciente, mas apenas o inconsciente falando sem nenhum freio social.

O certo é que nem tudo são flores na obra de Luiza. Mas com uma câmera, ela faz pinturas.

lp2

 

lpsmall

lp3

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here