Com a Sapucaí, com Supremo, com tudo: na mão de um bicheiro, Beija Flor ganha o Carnaval falando de… corrupção. Por Kiko Nogueira

Os ratos da Beija Flor em 2018

A Beija Flor é campeã do Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo de “crítica social e política” tirado de um manual do perfeito idiota da Lava Jato.

Era o Dallagnol de porta bandeira, o Sergio Moro de mestre sala.

Não à toa, a preferida da Globo.

Uma diluição de escândalos para midiotas. Homens fantasiados de Sergio Cabral, de lenço na cabeça, e ratos fizeram sucesso.

Ricardo Noblat, sem querer, resumiu bem a coisa: “contra tudo isso que está aí”. Noblat toma isso como elogio, quando é uma estupidez.

A escola reproduziu, na Sapucaí, o sentimento do coxa de classe média sonegador de impostos, corrupto, que foi para as ruas com camisa da CBF protestar contra a “roubalheira”.

Onde a Tuiuti viu esse inocente útil protofascista como um manipulado, a Beija Flor enxergou um herói e reproduziu o repertório.

Essa hipocrisia permite que uma escola cujo “patrono” é um bicheiro condenado “proteste” contra a corrupção.

A idéia do enredo é do filho de Aniz (Anísio) Abraão David, Gabriel David, de 20 anos.

“A escola tinha que explorar algum problema social”, diz Gabriel.

Em 2007, Anísio foi preso pela Polícia Federal na Operação Hurricane, acusado de ameaçar jurados para que dessem o título à sua escola.

Boni prestigia o título de 2015 com o bicheiro Aniz Abraão David

Em dezembro de 2011, foi indiciado pela Operação Dedo de Deus com outros colegas. Os policiais invadiram sua cobertura em Copacabana. Ele fugiu e foi encontrado em janeiro de 2012.

Acabou solto pelo STF.

Em 2013, foi condenado a 47 anos de cana por comandar uma quadrilha que explorava o jogo ilegal no Rio, com bingos e máquinas de caça-níquel.

O processo está em grau de recurso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Sua família manda em Nilópolis desde a ditadura. O irmão Farid é prefeito. O sobrinho, Ricardo, era deputado estadual.

A Beija Flor é isso. Sua consagração diz tudo. O campeonato cabe na fórmula do Jucá: com o Supremo, com a Sapucaí, com a Globo, com tudo.

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