China, mais uma vez

Este é o trem chinês. Cadê o nosso?

Gostaria de reproduzir um comentário de um leitor, Pablo Ferreira. Ele fala da China. A controvérsia aqui no Diário em torno do que escrevi sobre a China mostra que o tema merece um retorno.

Assim escreveu Pablo.

“Estive em visita a diversas cidades da China e vi um povo muito alegre e satisfeitos, com grande orgulho de ser chinês. Mas nos velhos tive a imprensão de sofrimento. Acredito que o povo da China já foi sofrido… agora não mais! As cidades estão muito mais evoluidas que no Brasil. Investindo muito em infraestrutura. Moro e gosto muito do Brasil, mas ainda temos que evoluir muito para chegarmos próximo da China de hoje!”

Vamos entender.

Eu jamais disse que a China é o paraíso na terra. Apenas constatei o óbvio: que graças a uma cultura extraordinária fundamentada no confucionismo a China avança rumo ao posto de maior economia mundial. Confúcio está presente numa coisa vital para a administração de um país: a burocracia. Os servidores públicos chineses são muito bem preparados.

Não sou eu que afirmo o fenômeno chinês. São os fatos. E por causa dos fatos, o mundo.

Não sou sinófilo. Mas teria que ser cego para ignorar o maior fato de nossa era. O caso chinês encerra múltiplas lições. Adoraria que o governo brasileiro tentasse descobrir quais são elas.

Note. A China é o que é hoje depois de ter sido virtualmente destruída pelas potências ocidentais, a começar pelas duas Guerras do Ópio. O Brasil jamais enfrentou nada parecido, apenas para registro. Se o outro colosso asiático, o Japão, se transformou das cinzas de 1945 numa potência graças ao dinheiro americano, a China se ergueu sozinha.

O crescimento faz com que a China se transforme rapidamente. A pobreza diminui porque existe mais dinheiro. Investimentos vitais como na infraestrutura – como nota o leitor – preparam a China para o futuro. Os chineses estão produzindo trens tão modernos quanto quaisquer outros do mundo adiantado.

E o Brasil? Onde os trens?

A China é um assunto que deve ser tratado com complexidade. É o que tento fazer. O que recuso é a abordagem simplificada que enxerga uma China que simplesmente não existe, ou que, se existiu, ficou lá para trás, quando tentava se erguer da rapinagem ocidental.

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