Caminhões patronais parados ameaçam atropelar o que sobrou de democracia. Por Joaquim de Carvalho

Em uma de suas derradeiras ações antes de ser preso, Lula lançou o livro que tem título que é a razão da força com que enfrenta estes dias tenebrosos: “A verdade vencerá”.

O ex-presidente fala dos processos a que responde e da condenação por causa do triplex — sem nenhuma prova.

Fala também do clima de ódio incendiou a parte da população manipulada pela elite — elite do atraso, como define o sociólogo Jessé Souza.

Cedo ou tarde, a farsa se desfaz.

A paralisação dos caminhoneiros é parte desse movimento que faz nascer, às vezes de maneira dolorosa, a verdade.

O pretexto para derrubar Dilma Rousseff foi a Petrobras. Nos governos do PT, a empresa controlada pelo governo federal ostentou os números mais vigorosos de sua história.

Tanto foi assim que, em 2010, a empresa lançou, com enorme êxito, ações no mercado mundial, com auditoria que ostentavam seu padrão de excelência assinada por instituições muito conhecidas e, vá lá, respeitadas no mercado financeiro, como JP Morgan e Credit Suisse.

A Petrobras, depois de descobrir a maior reserva de petróleo do século XXI, a do pré-sal, se tornou o motivo principal que fez de Dilma Rousseff uma das líderes mundiais mais espionadas pelo serviço de inteligência dos Estados Unidos.

A quem quiser saber mais a respeito, recomendo o filme “Snowden — Herói ou Traidor”, de Oliver Stone, sobre o especialista em TI que vazou os dados sobre a espionagem.

O Brasil, por conta da vitalidade da Petrobras, foi o país mais espionado, à frente da China e Rússia.

Mas uma Range Rover, comprada pelo dono de um posto de gasolina em Brasília, mudou o rumo da história.

A Range Rover era um presente (ou propina) do doleiro Alberto Youssef a Paulo Roberto Costa, que tinha sido diretor da Petrobras — não era mais.

O dono do posto, Carlos Chater, era da cadeia de doleiros de Youssef e movimentou empresas de fachada para adquirir o carro em nome de Paulo Roberto. Foi por causa desse posto que a operação é chamada Lava Jato.

Assim, a pretexto de defender a Petrobras, policiais federais e os procuradores da república de Curitiba, sob a liderança de Sergio Moro, começaram a destruí-la. Ou, vá lá, apequená-la.

Tem gente que acha que Dilma Rousseff era o alvo, mas, se olharmos mais atentamente, se verá que não era ela. Dilma estava no caminho.

Tem gente que acha que o alvo era Lula, mas, da mesma forma, se olharmos com cuidado, se verá que não. Ele também estava no caminho.

E muito menos Temer, beneficiário político deste movimento que é muito mais abrangente, é o alvo.

Ele está no caminho, depois que a presidência da república, roubada dos brasileiros, lhe caiu no colo.

O Brasil, que estava no caminho de se tornar uma potência, está sob ataque.

É uma guerra, e o exército inimigo veste toga e aparece como herói no Jornal Nacional e nas páginas da velha imprensa.

Os caminhões parados nas estradas são como tanques, agindo sem que as instituições brasileiras se disponham a detê-los.

É uma arma letal, pois, quando o pai de família chegar ao McDonald’s e descobrir que não há pão para o Big Mac do filho, ele vai gritar por algo, pela ajuda de alguém.

E o inimigo estará na porta, sorrindo, oferecendo a solução para o seu filho ter o sanduíche. E o bobo acreditará que é para o bem dele.

Há eleições marcadas para outubro, sem que a direita tenha um candidato viável.

Já a esquerda, com seu principal líder trancado na cadeia, vê luz no horizonte.

Essa direita arriscará colocar o poder em disputa, depois do trabalho que deu para construir a farsa da Lava Jato?

Há uma batalha em curso. E o Brasil não pode perder mais esta.

Em 2013, aproveitando o protesto legítimo e popular por causa de 20 centavos, os donos de uma pauta conservadora ganharam as ruas, com a ajuda dos caminhões.

De novo agora, com a gasolina sendo vendida a 10 reais, tem gente querendo trancar o Brasil, de novo com a ajuda dos caminhões.

O preço do diesel é só pretexto.

A esquerda não precisa desses caminhões para varrer Temer do Planalto.

.x.x.x.

Estranha, muita estranha, a pressa com que Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, se apressou para incluir na legislação a redução de  tributos sobre combustíveis. O aumento desses tributos tinha sido um desastre, fruto de quem não tinha política para fazer o Brasil voltar a crescer, mas essa pressa de Maia cheia mal.

 

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