Calado sobre as mortes ordenadas pelo ex-chefe Figueiredo, Alexandre Garcia culpa Lula e Dilma pela crise dos caminhoneiros. Por Kiko Nogueira

Figueiredo e seu porta voz Alexandre Garcia: saudade do estábulo

Alexandre Garcia é um fenômeno de tagarelice nonsense.

Desde que descobriu as redes sociais, comenta sobre tudo, de Jane Fonda ao aquecimento global, invariavelmente idiotices.

Mas se calou quando apareceu o documento da CIA dando conta de que Ernesto Geisel e João Figueiredo autorizaram a “execução sumária” de presos políticos na ditadura.

Garcia foi porta voz do cavalariço “Figa” e, logo após o chefe voltar ao estábulo, fez meia dúzia de entrevistas sabujas com ele, recheadas de fofocas.

Por causa das relações da Globo com os generais, cavou ali um emprego vitalício. 

Nesta segunda, dia 28, no “Bom Dia, Brasil”, Garcia deu seu pitaco pitoresco sobre a greve dos caminhoneiros e revelou os culpados: Lula e Dilma.

Os subsídios dos governos petistas teriam aumentado em mais de 30% a frota de caminhões. “Todo mundo comprou e aí não há frete que aguente”, diz ele.

Geisel — olha ele aí — tentou implantar ferrovias, mas políticos malvadões não toparam. Os trens nos salvariam, lembra Alexandre.

A “burrice estratégica”, como ele define, da dependência das rodovias é antiga.

Alexandre é profeta de obra feita. Crucificou Juscelino Kubitschek também, o que é simplista, irresponsável e leviano.

“Todo o mundo” comprou muito nos anos Lula. Não só caminhão, evidentemente, porque a economia crescia. Os pobres, essa gentalha que Alexandre odeia, tinham dinheiro para essas extravagâncias.

Alexandre não mencionou uma megalomania dos militares chamada Transamazônica — que deixou como um dos legados o extermínio de tribos indígenas inteiras.

Em outubro de 2016, o Estadão deu a seguinte notícia: “Plano de Dilma para ferrovias é enterrado”.

A corriola que se instalou no Planalto sob aplausos de Alexandre, entre outros, “acabou de vez com a possibilidade de abrir as ferrovias do País para um modelo aberto de operação, no qual diferentes empresas poderiam contratar a capacidade de transporte da malha federal e, a partir daí, fazer uso dos trilhos para o transporte de carga.”

Essa fórmula para explicar os males do planeta apontando o dedo para o “lulodilmismo”, usada à farta também por sua colega Miriam Leitão, serve apenas para expor a falta de argumentos e o oportunismo do cidadão.

O velho Alexandre entrou nesse trenzinho faz tempo e nunca mais vai desembarcar.

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