Boulos: “Temer abriu um período de instabilidade e conflito social no país”. Por Mauro Donato

Paulista, 31 de agosto de 2016
Paulista, 31 de agosto de 2016

 

Pela terceira noite seguida manifestantes reuniram-se na Paulista em protesto contra o golpe parlamentar. E na noite de ontem, os ânimos estavam ainda mais exaltados após a votação que decretou o impedimento definitivo de Dilma Rousseff. Uma goleada de 61 a 20.

Mais uma vez o roteiro foi o mesmo das noites anteriores. Saindo do MASP não se pode ir na direção da FIESP.

Os golpistas continuam ali, são donos do pedaço e intocáveis. Um claro sinal de provocação. Então logo um maciço cordão policial se forma na avenida e dali ninguém passa. Se quiser andar, a manifestação precisa ir sempre no sentido oposto.

Eram milhares de pessoas que uniram duas concetrações marcadas com poucos metros de distância entre elas. Uma no MASP e outra na Praça do Ciclista.

Guilherme Boulos estava presente e falou ao DCM:

DCM – Como viu o resultado de hoje?

Boulos – O que não podemos dizer é que o resultado não era previsível. A farsa estava montada, ali nenhum argumento funcionaria. A decisão do Senado e do Congresso já estava tomada.

Como será de agora em diante?

O Senado não tem legitimidade para definir o destino do povo brasileiro. Ainda mais um Senado corroído pela corrupção, cheio de canalhas que fizeram uma eleição indireta. Por isso a resistência vai se intensificar nas ruas.

Temer se sustentará?

Ele tem uma blindagem fortíssima, é preciso reconhecer. Tem blindagem midiática, tem apoio no Congresso, tem um bloco do empresariado sustentando o governo dele. É forte, mas não tem legitimidade social. Então abriu-se um período de instabilidade e conflito social no país.

Também repetitiva foi a atuação da polícia que, a certa altura, decide terminar com a manifestação. Resolve que deve atacar e pronto. Foi o que novamente ocorreu na rua da Consolação. Então recebemos aquela chuva de meteoros bélicos. Seis, oito, dez bombas simultaneamente vindas do céu sobre a aglomeração de pessoas desarmadas e indefesas.

Daí os olhos queimam, a garganta fecha, o oxigênio acaba. A ação violenta e repressora provoca a reação dos mais novos e mais exaltados. Agências bancárias tornam-se alvo preferido. O centro da cidade virou praça de guerra. Uma quebra na ordem, mas estamos vivenciando um golpe, qual é a ordem estabelecida num país que retira um presidente na mão grande?

Protestos ocorreram em diversas cidades ontem. Mas protestar contra o atual governo é colocar em risco sua integridade física. Se os protestos irão se intensificar como previu Guilherme Boulos é algo a conferir pois a repressão policial muitas vezes funciona. Quem tem olho tem medo de bala de borracha.

Coragem, entretanto, parece não faltar, por enquanto. E objetividade nos recados também. “Temer, seu otário. O seu governo continua temporário”, cantavam os manifestantes.

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