As melhores séries de 2014

FALAR DE SÉRIES SE TORNOU PRATICAMENTE UMA OBRIGAÇÃO PARA OS SITES DE CINEMA QUE SE PREZEM. Com um interesse crescente do público, as séries começaram a representar um “risco” para os cinéfilos. Afinal de contas, com tantas opções disponíveis atualmente, como é que vamos encontrar tempo para dividir entre os filmes e os episódios? Há uns três, quatro anos ainda se discutia muito em relação à suposta qualidade inferior do material produzido para televisão em relação ao cinema, mas após séries como House of Cards, Breaking Bad e Game of Thrones, não há o menor sentido em continuar apontando quem é melhor ou pior que o outro. O fato é que as séries estão cada vez melhores e mais sofisticadas, como o caso da surpreendente temporada de estreia de True Detective.

Com isso em mente, o Cinema de Buteco decidiu escolher os grandes destaques da televisão na temporada 2013/2014. Qual foi a sua série predileta no ano que passou?

Menção Honrosa: The Strain

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The Strain ficou de fora da lista das dez séries mais votadas pela equipe do Cinema de Buteco e nossos convidados, mas seria um pecado deixar a adaptação da trilogia literária de Guillermo del Toro e Chuch Hogan de fora. Falando de vampiros de um jeito que os moderninhos não estão acostumados, a série tem na maquiagem e efeitos visuais seus principais atributos, já que falar das atuações poderia ser um tanto frustrante. Trash na medida certa para garantir o interesse dos fãs do gênero, The Strain é uma daquelas opções que prendem o telespectador flertando entre o óbvio e boas surpresas.

10- Penny Dreadful

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Eva Green lidera um elenco que conta ainda com Josh Hartnett (o desaparecido) e Reeve Carney (o futuro Jeff Buckley numa aguardada cinebiografia que não parece acontecer nunca). Seria o suficiente para conseguir a sua atenção? Provavelmente. No entanto, Penny Dreadful é nada mais que uma verdadeira compilação arrepiante de vários clássicos do horror. Drácula, Frankenstein, O Retrato de Dorian Gray e Lobisomem são apenas algumas das histórias que são reverenciadas na série, que já está confirmada para uma segunda temporada. – Tullio Dias

9- The Walking Dead

Comic-Con Trailer: The Walking Dead: Season 5 (Screengrab)

Walking Dead merecia um lugar na lista apenas por tratar de zumbis. Qualquer coisa que envolva zumbis é boa. Transformem a Ana Maria Braga num zumbi e verão como a audiência dela irá subir. No entanto, a gente sabe que Walking Dead não é bem uma série sobre zumbis e a quarta temporada nos mostrou isso. A turma de Rick sobreviveu ao confronto com o Governador e foi obrigada a seguir caminho para encontrar um novo lar. Combinando episódios bons e ruins, o grande trunfo ficou para o arco envolvendo Tyrese e Carol, que teve como resultado um dos melhores capítulos de toda a série. – Tullio Dias

8- Boardwalk Empire

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Com produção executiva de Martin Scorsese, Boardwalk Empire chamou a atenção de público e crítica desde o início, mas, por algum motivo difícil de detectar, não teve o apelo popular de outras séries de temática semelhante, como Os Sopranos. As cinco temporadas foram marcadas pela qualidade na pesquisa de época e figurino, além de um roteiro bastante aprofundado e personagens de interesse histórico, como o mafioso Capone e o diretor do FBI, J. Edgar Hoover. O protagonista, Enoch Thompson, foi baseado num criminoso real e interpretado brilhantemente por Steve Buscemi, num papel que ressignificou toda a sua carreira.

Ainda assim, apesar de tanto capricho por parte da HBO e do elenco, o enredo teve pontos altos e baixos, o que resultou, para muitos, em desinteresse pela série. Foram cinco temporadas e a sensação que se fica, ao final, é que a história como um todo se tornou uma grande colcha de retalhos: alguns pedaços melhores, outros piores, alguns maiores, outros menores. Faltou coesão, aquele arremate final tão difícil de se dar e tão raro de se ver em séries. Ainda assim, acompanhar a jornada foi o mais satisfatório, até mesmo mais do que se chegar a um desfecho. Fica a esperança de que Scorsese se interesse por fazer uma série spin-off apenas sobre Capone, um personagem de muitas e diversificadas camadas, que nos deixou com gosto de quero mais. – Priscila Armani

7- Modern Family

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Depois dos ajustes que Modern Family passou com o fim da terceira temporada, a série simplesmente deslanchou. Não há nada que atrapalhe a interação e o humor desse elenco. Em 2014, os holofotes se viraram todos para Cam e Mitchell, nos proporcionando um dos melhores e mais emocionantes arcos da série com o casamento dos dois. O clima romântico foi balanceado com seguidos episódios usando um dos melhores pareamentos cômicos do elenco, Phill e Glória. Depois do retorno na Fall Season, a série ainda está tentando achar o foco, mas uma das coisas que mais se destacou para mim foi a interação de Phill e Claire com os novos vizinhos. Stevie Zahn é sempre uma ótima adição a qualquer show. – Jairo Souza

6- Orange Is The New Black

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Baseada num livro de Piper Kerman, a primeira temporada debutou cautelosa, sem muitas pretensões, e foi amadurecendo justamente seu maior potencial dramático: as histórias das detentas e como isso influencia seus comportamentos na prisão. A narrativa, que remete a Lost (pelos flashbacks que desconstroem aos poucos as personagens), ganhou mais ar de trama e uma conclusão catártica. Este ano, a série incluiu mais caras novas e descentralizou a protagonista Piper, o que pode ser um alarme falso ou indicativo de que a série ampliará ainda mais seus horizontes no ano que vem. Atualizando a proposta que Oz, da HBO, fez nos anos 1990 e 2000, agora com uma incrível diversidade de mulheres, a atração do Netflix se afirma como uma complexa colcha de retalhos. – Leonardo Francini

5- Hannibal

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Quem nunca viu ou pelo menos ouvir falar da franquia do charmoso psicopata de Baltimore? Já contabilizam-se 5 filmes, dentre eles o aclamado O Silêncio dos Inocentes, em que Anthony Hopkins ganhou Oscar de melhor ator principal aparecendo por pouco mais de 15 minutos, um recorde aliás. Por falar nisso, substituir a lenda Hopkins foi a grande tarefa do talentoso Mads Mikkelsen, que traz novos e interessantes contornos para o papel.

Enquanto a primeira temporada tem como pano de fundo a concepção que Will Graham (Hugh Dancy), um especialista em mentes psicopatas contratado pelo FBI como consultor, faz do psiquiatra psicopata, a segunda se volta para a relação que os dois personagens criam entre si, através de jogo de tensão muito bem desenhado. E um dos grandes méritos da série está justamente na construção dos espaços mentais oníricos/delirante dos personagens e como isso se confunde com as ricas e artísticas cenas de crimes, sem contar na fotografia escura, que aproveita as marcantes feições do rosto de Mikkelsen para trazer um ar mais mórbido ainda ao personagem.

É bem verdade que no início da primeira temporada, parece que Hannibal seria apenas um C.S.I “tunado”: cenas de crimes mais violentas e insanas, por tratar de assassinos em série com distúrbios psicóticos. Mas, ainda na primeira temporada, ela revela como vai além, trazendo uma segunda temporada praticamente impecável e com um final surpreendente e apocalíptico. Não tenho a menor ideia do que pensar da terceira temporada se não que estou absolutamente ansioso para assisti-la. – Franklin Vinícius Marques Dutra

4- Game of Thrones

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A quarta temporada de GoT continuou apostando no que a série sabe fazer melhor: chocar o telespectador e mostrar que escolher um personagem favorito é sempre arriscado, já que qualquer um pode morrer. Depois do “casamento vermelho” na temporada passada, era difícil imaginar que os produtores conseguiriam manter o nível. Não apenas conseguiram, seja com muuuuitas mortes ou com investimento pesado num dos melhores episódios da temporada (“The Watchers on the Wall”, dirigido por Neil Marshall), como fizeram uma temporada equilibrada em que foram poucos os momentos mais “fracos”, e mesmo assim, digo isso em comparação ao nível de excelência alcançado pela série no decorrer dos últimos quatro anos. O jogo de xadrez foi montado, as peças foram movimentadas e na quinta temporada assistiremos a muitos xeques-mates. – Tullio Dias

3- House of Cards

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House of Cards estreou em 2013, com a direção de David Fincher. Foi uma fantástica temporada de estreia e era difícil esperar uma segunda temporada ainda melhor. Então, no dia 14 de fevereiro de 2014, todos os episódios foram lançados no Netflix e começaram as maratonas. E que maratonas. Desde o primeiro episódio a série é impecável, surpreendente, e capaz de fazer o seu queixo cair. A segunda temporada conseguiu ser ainda melhor, mais surpreendente e mais viciante que a primeira. Com atuações impecáveis de Kevin Spacey e Robin Wright. Se você não assistiu, comece agora. Eu não me esqueço de uma das cenas dessa segunda temporada, que eu tive que dar pausar o episódio, dar uma volta na casa e tomar um copo d’água pra não ter meu cérebro derretido. – Matheus Abade

2- Fargo

Fargo

A série inspirada no filme de 1996 com o mesmo nome, narra a chegada de um homem chamado Lorne Malvo a uma pequena cidade do estado de Minnesota. Malvo começa a influenciar a todos com a sua psicopatia, trazendo muitas coisas fora do comum para essa cidade.

Quando comecei a assistir Fargo não esperava muito. E logo no primeiro episódio fui surpreendido: é uma série onde tudo pode dar errado, e se alguma merda parece que vai acontecer, ela vai com certeza. Isso tudo sem ainda falar em todas as atuações fantásticas da série. É uma das melhores temporadas de estreia que já assisti, e mostrou que 2014 foi um ano foda para séries. – Matheus Abade

1- True Detective

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Durante os últimos dois, três anos as séries de televisão chegaram a um nível em que nada ficam devendo para o cinema. True Detective é um desses casos em que algumas pessoas mais empolgadas chegam a considerar que um episódio pode ser comparado ou até colocado acima de filmes. Cada macaco no seu galho, cada um no seu quadrado. Série é série, filme é filme. Longe de querer cometer um absurdo desse, deixo a recomendação de que SE True Detective entrou em primeiro lugar nessa lista não foi a toa. Woody Harrelson e Matthew McConaughey estão sensacionais no meio de uma trama tensa que prende o telespectador do começo ao fim. (E não, a nudez de Alexandra Daddario não interferiu na minha escolha porque eu não tenho mais quinze anos de idade. E não falo mentiras.) – Tullio Dias

Bonus Track: Sonic Highways

Photo: ©Andrew Stuart 2014

O resumo do IMDb fala que Sonic Highways é uma série que comemora o vigésimo aniversário do Foo Fighters documentando uma odisseia de gravação de seu novo álbum em 8 cidades dos EUA. Esse resumo deixa muito a desejar e faz parecer que é uma série exclusivamente sobre o Foo Fighters, o que não é verdade: a série é sobre a história do rock nessas cidades e suas lendas do rock, blues, country e tudo mais que influenciou o gênero. As músicas são sobre essas cidades, sobre essas influências. A série não é sobre o Foo Fighters, é do Foo Fighters, sobre o rock. – Matheus Abade

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