A eleição para prefeito de SP está entre as mais eletrizantes da história da cidade. Por José Cássio

O debate no SBT com os candidatos à prefeitura de SP
O debate no SBT com os candidatos à prefeitura de SP

 

Faltando dois dias para o primeiro turno, São Paulo experimenta uma das eleições mais eletrizantes da sua história.

Com um pouco mais de um mês de campanha, muita coisa mudou e o inesperado deu o tom. Não será diferente agora na reta final e, exceção de que vamos ter segundo turno, ninguém arrisca dizer quem serão os candidatos qualificados para a etapa final da disputa.

João Doria subiu nas pesquisas e lidera, de acordo com Datafolha e Ibope. O publicitário, cuja candidatura provocou um racha no PSDB, e até a saída de Andrea Matarazzo do partido, não se cansa de afirmar que não é político. Não que isso seja um mérito.

A alavancada do tucano se explica, em parte, pelo seu tempo de televisão, o maior de todos.

Só isso justifica sua ascensão nas pesquisas, já que suas propostas, meio vazias, como a parceria com hospitais da rede privada, o aumento da velocidade nas marginais e a venda do patrimômio dos paulistanos (Interlagos e Anhembi, entre outros) não encontram respaldo nem mesmo dentro do seu partido.

Muito antes do fatídico artigo de Alberto Goldman, que o classifica de farsante na cara dura, Doria já havia se enrolado numa entrevista na Globo, quando foi encurralado por Cesar Tralli – o jornalista quis saber da área pública que anexou urregularmente à sua mansão em Campos do Jordão.

Foi o suficiente para aplacar o furor moralista de Doria, que a partir de então acabaria apanhando que nem criança de Luiza Erundina.

O segundo colocado nas pesquisas (será mesmo?), Celso Russomanno, entrou atrasado na disputa por causa de uma acusação de peculato.

Seu processo tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF) e, se fosse condenado, sua candidatura seria barrada pela Lei Ficha Limpa.

Russomanno, que liderou a maior parte do tempo, desmilinguiu à medida em que sua capacidade mental ia sendo colocada à prova nos debates e agora vê a ascensão dos adversários à sua sombra. Algo que não chega a surpreender, já que foi assim também em 2012.

No caso de Marta, que começou a campanha se desculpando pelos erros da sua gestão na prefeitura e foi chamada de “golpista” pelo próprio filho, vale lembrar que ela não está errada ao dizer que o motivo da sua desgraça é a herança maldita de Temer.

Nas quebradas, junto do povo sofrido defende uma coisa mas, na imprensa, todos os dias, as manchetes são outras, vinculando seu nome a um governo que não mede esforços para cortar direitos trabalhistas e recursos da saúde e da educação. Dá para ser feliz assim?

Fernando Haddad, que a todo momento tenta explicar a crise do PT, imaginou que a população da cidade por si só entenderia os avanços da sua gestão, mas não foi bem o que aconteceu.

Nas eleições de 2012, teve de desconstruir Russomanno para chegar ao segundo turno. Agora, seu trabalho está sendo dobrado: está tendo de desbancar Russomanno e Marta.

Luiza Erundina (PSOL) está sendo um exemplo de dignidade nesta campanha. Entre todos os candidatos, foi a única que não se aproveitou dos problemas do PT para cair matando. Aliás, se mostrou uma combatente contra o golpe, mais até do que muitos petistas. Contudo, com apenas dez segundos de televisão, pouco esta podendo fazer.

Major Olímpio (SD) é, sim, um hipócrita, mas sua figura não deve ser ignorada. Ele reforça uma tendência não só em São Paulo, mas também no país, que é o crescimento de lideranças autoritárias e policialescas.

O mesmo se vê no Rio de Janeiro, com o sucesso de Bolsonaro e seus dois filhos, sem contar o fortalecimento da bancada da bala nos parlamentos país afora. Quando se fala de Brasil, o que está ruim pode, afinal, sempre piorar.

Ricardo Young foi a surpresa negativa desta campanha. Mesmo com o apoio de Marina Silva, não disse a que veio – se manteve com menos de 1% das intenções de voto junto com a lamentável figura de Levy Fidelix. Seu discurso de sustentabilidade não caminhou meio centímetro até aqui.

Viradas são comuns na reta final em eleições no Brasil.

Foi o que vimos com a vitória de Erundina sobre Paulo Maluf em 1988, com Gilberto Kassab, em 2008, com o próprio Haddad, em 2012, e, mais recentemente, com a chegada de Aécio ao segundo turno com Dilma em 2014 quando nem a minha sogra acreditava no mineiro.

O jogo pode não estar perdido para Haddad, Rossumanno e Marta, já que o tucano Doria parece consolidado como um entre os dois postulantes do segundo turno.

A única certeza que temos é de que as próximas horas serão eletrizantes, dignas de desfecho de filme de suspense. Haja coração.

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