Aprovar a PEC da música agora é como dar um balão de oxigênio a um morto

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E finalmente saiu a tal da PEC da música. É basicamente o seguinte: como livros e revistas, os CDs e DVDs passarão a ser isentos de impostos. ICMS, IOF e ISS não serão mais pagos pelos produtores de discos.

O que o Estado deixa de arrecadar é ínfimo, até porque a atividade já estava virtualmente morta.

E aí está o primeiro problema: se a intenção era salvar a indústria fonográfica, o Senado foi lento. Deixou o paciente morrer. Quando essas questões começaram a ser discutidas, havia salvação. Hoje, não há mais.

É mais ou menos como esperar por uma bomba de oxigênio ser liberada do almoxarifado do hospital quando você tem um câncer terminal. Ou é agora ou não é.

E não foi. Cedendo à pressão dos produtores de Manaus, eles foram enrolando essa definição.

Os senadores do Amazonas eram os únicos contra a medida. A zona franca de Manaus concentrava as fábricas que gozavam de isenção de impostos. Agora, a tendência é que se desconcentre a produção.

A oferta de CDs e DVDs tende a aumentar. A procura, não. É esse o segundo problema.

Há pouco mais de um ano, ouvi de um grande executivo que, com a isenção, ele teria aproximadamente R$ 400 mil a mais por ano para investir na divulgação dos produtos. Isso daria para fazer pelo menos um bom produto por ano, com divulgação nacional. Mas e hoje? Será que o número é o mesmo?

Não é muito difícil entender a crise da indústria. É só perguntar por aí quem comprou um CD nos últimos tempos.

O álbum de estúdio sempre foi o produto central da indústria fonográfica. Antes era gravado em discos de vinil, os velhos LPs. Depois veio o CD. A lógica não mudou ali.

Mas mudou de uns anos para cá com o Napster, e posteriormente com o IPod. Caindo as vendas de CDs, passou-se a usar o DVD para empurrar a carruagem. Isso porque o download de um DVD demorava um bom tempo, e a qualidade não era grande coisa.

Então as gravadoras enxugaram os negócios e passaram a se contentar com a venda de DVDs como carro-chefe, tendo a venda de CDs apenas como apoio – da mesma forma com que a venda online era só apoio também.

Mas hoje… você baixa um show inteiro em meia hora. É mais rápido do que ir ao shopping e comprar. É mais fácil que comprar online. Mais que isso: hoje você pode ver um show na íntegra no Youtube.

Assim, a venda de DVDs se tornou também uma fatia pequena no orçamento das gravadoras.

Hoje, as gravadoras vivem dessas pequenas vendas de CDs, DVDs, áudio online (que rende muito menos do que o CD já rendeu), direitos autorais (só aquelas que têm editoras), licenciamentos de produtos.

A gravadora que não aceitou que seu negócio teria que ser muito menor, morreu. A que soube se reinventar, se deu bem. Não bem como as grandes gravadoras do passado se deram, mas como o dono de um bom negócio de médio ou pequeno porte às vezes se da.

As que sobreviveram, vão, talvez, dar um último respiro com a isenção na produção dos CDs e DVDs. Não mais que isso. Porque o que importa não é produzir mais DVDs. É vender. E isso não vai acontecer.

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