Ao invés de invadir terreno, Doria poderia ajudar a degradada escola que homenageia seu pai. Por Mauro Donato

A ocupação na Escola Estadual Deputado João Doria
A ocupação na Escola Estadual Deputado João Doria

 

O empresário-apresentador João Doria não era conhecido pela imensa maioria do eleitorado. Daí sua ascensão vertiginosa ao iniciar a campanha. Valeu-se do efeito ‘novidade’.

Sua campanha bate firme na tecla sobre o candidato a prefeito ser um self-made man, ‘trabalhador’ e muito bem sucedido. Tem dado resultado também graças ao senso médio popular que carrega a ilusão: “Votarei nele, é rico, não precisa roubar.”

Ser rico não é crime. Quanto a relação direta com a idoneidade, João Doria não passa pela garganta nem dos correligionários tucanos. Nesta semana, parte da executiva municipal de seu partido entregou seus cargos como forma de protesto à sua candidatura.

Doria é acusado de abuso de poder político e econômico na disputa interna pela candidatura e a possibilidade do promotor José Carlos Bonilha ajuízar uma ação contra ele é grande. Na sexta-feira um grupo de Procuradores do Estado foi ao Ministério Público pedir cópias do processo. Ele tinha até aquela data para apresentar suas explicações.

O abonado João Doria, que em seu programa de TV mais parecia uma réplica do personagem Riquinho, agora pendurou os ternos caros, anda de sapatênis e deseja parecer um cara normal, é o típico moralista de araque. Seu escritório político descumpre a lei de zoneamento da cidade.

Está instalado numa mansão em bairro nobre e, obviamente, exclusivamente residencial. Estacionados em frente ao imóvel do Jardim América normalmente encontram-se Mercedes, BMW e outros brinquedos dispendiosos. Doria nega que lá funcione como escritório e, marotamente, afirma que é apenas um local para ‘reuniões’.

Mas o endinheirado Doria faz questão de ainda assim manter a pose quando o assunto é imóvel e vinha fazendo o discurso louvado por 11 entre 10 integrantes da elite paulistana. Repete que, caso eleito, não irá travar diálogo com movimentos de moradia que ‘invadem propriedade’, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).

Quem cospe para cima…

Há muitos anos João Doria invadiu uma área pública em Campos do Jordão (onde ele organiza seus eventos de cachorrinhos de madames), e incorporou-a a seu imóvel. Foram anos e anos de apropriação indevida e utilizada egoisticamente durante seus momentos de lazer. Na última quinta-feira a Justiça determinou a reintegração de posse imediata do terreno. Perdeu, playboy.

O grileiro coxinha ainda fez pouco caso. Em entrevista à rádio CBN disse que aquela área de 365 metros quadrados ‘não era nada’ pois ele tem 14 mil metros quadrados ali. João Doria tem um patrimônio declarado de R$ 180 milhões, mas enquanto ninguém estava olhando, invadiu. Por aí se tem uma boa ideia de quem é Doria. Ele já deveria ter devolvido o terreno faz tempo e só está fazendo agora em função das eleições. Se não fosse por isso iria continuar a recorrer e brigar na Justiça pela posse, ou alguém duvida?

Com um cofre tão abarrotado, é de se perguntar porque o atual ‘homem preocupado com a coisa pública’ não se ofereceu para adotar a escola estadual que leva o nome de seu pai. A Secretaria de Educação andou passando o pires entre famílias que têm seus sobrenomes homenageados nas fachadas dessas instituições de ensino. De cinquenta, apenas duas famílias acenaram com a possibilidade. Nenhuma das duas era a do candidato.

A Escola Estadual Deputado João Doria fica no Itaim Paulista, extremo leste da cidade. Durante o período das ocupações realizadas por secundaristas no final de 2015, aquela escola foi um dos locais mais degradados que visitei. Instalações precárias, reboco do teto caindo, banheiros inutilizáveis, quadra esportiva esburacada e sem nenhum equipamento.

Como já se conhece como a educação pública é tratada pelo PSDB, alunos da E. E. Doria não devem se animar. Mesmo prefeito, Doria irá preferir o caminho de Campos do Jordão ao do Itaim Paulista.

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