Ao falar de corrupção no futebol, Globo deveria conjugar o verbo nós e não eles. Por Joaquim de Carvalho

Em um programa da SporTV de ontem, o jornalista Martin Fernandez, do Globoesporte.com, falava sobre a reportagem que fez com a divulgação de grampos do empresário J. Havilla na investigação realizada pelo FBI sobre a corrupção no futebol. O jornalista Kléber Leite, ex-presidente do Flamengo e dono de uma empresa de marketing esportivo, a Klefer, foi um dos citados.

Ele aparece em diálogos em que, supostamente, fala a J. Hawilla, dono de afiliadas da Globo, que pagava propina para Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Quem fala os nomes dos dirigentes é J. Hawilla, provavelmente orientado pelos investigadores americanos.

Kléber diz que pagava “um e um”, aparentemente referindo-se a Teixeira e Marin. Só que ele não cita os nomes. Com a reportagem, Martín e André Rizek, o apresentador do programa, começam a falar que, sem corrupção, os clubes poderiam receber mais pelos direitos de transmissão, como no caso da Copa do Brasil.

Kléber, ao que parece, não gostou e mandou uma extensa nota ao programa, lida no ar. Nela, diz:

“E, como informação para o repórter Martin Fernandez, que no programa afirmou que, pelo fato deste tema ser tornado público os clubes passaram a receber muito mais dinheiro pela Copa do Brasil, informo e afirmo que isto se deve, única e exclusivamente, ao fato de a Rede Globo ter passado a pagar pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil um valor compatível com a realidade de mercado.”

Para ler a nota na íntegra, acesse o blog do Kleber.

Alguns departamentos de jornalismo são muito corajosos ao tratar do tema de corrupção no futebol. A emissora está mergulhada até o pescoço nesta lama. Por isso é que Kléber diz: A Globo é que está pagando mais, agora valores de mercado. Não pagava antes por quê?

J. Hawilla e Kléber foram funcionários da Globo, Hawilla na TV e Kléber na rádio. Ficaram ricos depois que deixaram a empresa, com os negócios envolvendo o futebol. Só que nunca deixaram de seu relacionar com ela.

Na Globo, o contato deles era com Marcelo Campos Pinto, diretor da empresa, afastado ao mesmo tempo em que um empresário de futebol na Argentina contou ao FBI que a Globo, por intermédio de Marcelo, pagava propina no exterior, para ter direito de transmissão de competições internacionais.

J. Hawilla chegou a usar tornozeleira eletrônica nos Estados Unidos, pagou multa milionária e já está de volta ao Brasil. Mas, até agora, não houve informação de que teria implicado a Globo. E talvez não tenha mesmo. Ele é Globo, como proprietário da TV TEM, a afiliada da empresa em algumas das maiores e mais ricas cidades do interior do Estado de São Paulo. Não vai falar.

Para o triunfo da verdade, a Globo deveria continuar cutucando Kléber Leite. Quem sabe assim ele não fale mais.

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