O que Aécio e Campos ganham ao justificar as vaias e ofensas no Itaquerão?

José Alencar e Aécio no Mineirão em 2008
José Alencar e Aécio no Mineirão em 2008

 

Eduardo Campos e Aécio Neves perderam uma oportunidade dourada de exercer e estimular a civilidade em meio a um debate político eivado de ódio e intolerância.

A respeito dos xingamentos a Dilma num Itaquerão lotado de gente que daria orgulho às multidões do Coliseu, Campos poderia e deveria ter dito, entre trezentas coisas, o óbvio: isso não se faz com uma senhora.

Preferiu uma saída covarde. “Quanto às manifestações dentro do estádio, a gente sabe que há na sociedade um mau humor, uma insatisfação, que se revela nesses momentos”, afirmou. “Talvez a forma possa não ter sido a melhor de expressar esse mau humor, essa discordância, mas o fato é que vale o ditado: na vida a gente colhe o que a gente planta”.

Que diabo significa isso? Aécio apelou para o mesmo clichê: “Acho que ela colhe um pouco aquilo que plantou ao longo dos últimos anos. Alguém que governa com mau humor permanente, com enorme arrogância, sem dialogar com a sociedade brasileira, de costas para a sociedade, achando que por ter a caneta na mão tudo pode”. (Depois ele amaciou um pouco no Facebook)

É uma forma de dizer que a adversária mereceu. De certa maneira, o que eles estão informando é que, se estivessem na Arena Corinthians, provavelmente estariam berrando, ao lado da colunista social do Estadão: “Ei, Dilma, vai tomar no c…”. (Marina não se manifestou — ou, se o fez, ninguém entendeu nada, como sempre).

Aécio, em especial, sabe o que é uma vaia devastadora de um estádio e seus efeitos. Em 2008, num amistoso entre Brasil e Argentina, um Mineirão tomado começou a noite entoando “Adeus, Dunga! Adeus, Dunga”. Nas cadeiras mais caras, uma plateia formada por, entre outros, Pelé, Marco Aurélio Mello e José Alencar ainda ouviu: “Ô Maradona, vai se fo…, o Aécio cheira mais do que você”.

Esse coro não saiu nos jornais há seis anos, mas pode ser ouvido até hoje. Eduardo Campos e Aécio Neves estavam, em espírito, no meio da massa cheirosa que se reuniu no dia 12 de junho de 2014 para agir como ignóbeis. Achar que é possível tirar proveito eleitoral disso é terrivelmente tacanho.

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