A metamorfose de Marta Suplicy em Rachel Sheherazade

Sheheramarta
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O ódio não é um bom conselheiro e Marta Suplicy é uma prova ululante disso.

Marta voltou a ser colunista da Folha e, a julgar pelo último artigo, tomou Rachel Sheherazade como modelo — com a diferença fundamental de que Sheherazade não era petista até ontem.

A neopitbull defende que a vaca foi para o brejo por duas razões: a “negação da realidade” e a “estratégia errada”.

“O começo foi bem antes da campanha eleitoral deslanchar. Percebiam-se os desacertos da política econômica. Lula bradava por correções. Do Palácio, ouvidos moucos”, diz. “Era visto como um movimento de fortalecimento para a candidatura do ex-presidente já em 2014. E Lula se afasta. Ou é afastado. A história um dia explicará as razões.”

O país afundou, a propaganda enganosa cobre uma realidade econômica tenebrosa, não há transparência, não há autocrítica etc. O caos, a desgraça, a tragédia, o apocalipse.

Finalmente: “Os brasileiros passam a ter conhecimento dos desmandos na condução da Petrobras. O noticiário televisivo é seguido pelo povo como uma novela, sem ser possível a digestão de tanta roubalheira. Sistêmica! Por anos.”

Espera um pouco.

O que Marta sabe que você não sabe sobre a “roubalheira sistêmica”? Ela entrou no partido em 1981, foi deputada, prefeita, ministra duas vezes. Não era uma estafeta. Saiu em dezembro, se antecipando à reforma ministerial, chutando o balde. Fez ilações sobre a gestão anterior, de Juca Ferreira.

Em 33 anos, não provocou a desejada “autocrítica”? Depreende-se, pelo texto, que Marta faria parte do tal “grupo lulista” que teria perdido a corrida na campanha de 2014.

Se é o que ela sugere, como é que a “história um dia explicará as razões”?? Por que ela mesma não explica?

Porque, nessa cavalgada ressentida, Marta quer marcar seu ponto na oposição com vistas a disputar a prefeitura em 2016. Ou ela enganava no PT ou ela tenta enganar agora fora do PT — ou, o que é mais provável, ambas as alternativas.

Numa coisa a Sheherazade rediviva foi precisa, especialmente se fizesse referência a si mesma: “O povo, e aí refiro-me a todas as classes sociais, está ficando muito irritado com o desrespeito à sua inteligência”.

Ninguém terá o direito de se surpreender de vê-la brilhando na Jovem Pan em breve.

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