A torcida brasileira nos estádios te representa?

 

Torcidas são parte fundamental de grandes eventos esportivos. Basta lembrar a “ola”, que ganhou o mundo na Copa do México e hoje se reproduz em festas juninas.

A torcida brasileira nos estádios desta Copa ficará marcada, principalmente, pelo hino nacional a capella, por um espetáculo de grosseria coxa na estreia do torneio e por imitar a galera mexicana no xingamento ao goleiro adversário no tiro de meta (coisa que os juventinos fazem com muito mais classe na Rua Javari).

A “elite branca” — o achado é do insuspeito Cláudio Lembo — não sabe se comportar mal no campo. É similar às torcidas de firma do vôlei. De certa forma, é também um reflexo de um time nacional que não empolga.

Agora, dentre todos os sintomas de anemia, há um mais deletério e mais difícil de corrigir ao longo dos séculos: a popularização, no planeta, do cântico “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”.

É uma das melodias mais açucaradas, no mau sentido, da história. Uma pieguice que já havia sido adaptada por todas as organizadas do país, mas que agora terminou de ser coroada.

O verso é de Nelson Biasoli, do interior de São Paulo, e estava na música “Grito de Guerra”, registrada em 1979. Ele contou que a compôs em 1949, quando seu colégio de Ribeirão Preto enfrentou os alemães nas olimpíadas estudantis.

Por um desses mistérios insondáveis, o refrão ressurgiu das trevas em meados dos anos 2000 e se fixou como uma praga. Podia ser uma moda passageira, mas pegou. É o “Ai, Se Eu Te Pego” do futebol, o “Como Uma Deusa” dos gramados.

Compare com a contundência, a virilidade e a pulsação de “Aqui Tem um Bando de Louco”. “Louco” no singular, registre-se. A autoria foi diluída na Gaviões da Fiel. Surgiu no momento em que o Corinthians foi rebaixado. Carrega revolta, dor e redenção. É punk, contra a cafonice de rock progressivo do “Eu sou brasileiro etc”.

Não surgiu um novo grito de guerra da torcida brasileira nas arenas e, aparentemente, não surgirá. É o tipo de coisa que aparece espontaneamente, nas ruas, e que definitivamente não tem o padrão Fifa.

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