“Mr. Robot” tinha de ganhar o Golden Globe de melhor série dramática. Por Davi Nogueira

 

“Mr. Robot” ganhou o Golden Globe de série dramática e Christian Slater faturou o prêmio de melhor ator coadjuvante na noite de 11 de janeiro.

Merecidíssimo. “Mr. Robot” conta a história de Elliot Alderson (o egípcio naturalizado americano Rami Malek, incrível com seus olhos esbugalhados), um jovem especialista em computação que trabalha como programador na Allsafe, uma empresa de segurança cibernética. Elliot tem transtorno de sociofobia e interage com as pessoas hackeando-as, adquirindo informações através de emails e redes sociais.

Elliot é um sujeito esquisito. De cara, no primeiro episódio da série, faz um monólogo sobre seu desapontamento com a sociedade. Ele descreve a sensação de desconexão quando sua psicóloga lhe pergunta por que a sociedade o decepciona.

“Será porque todos achamos que o Steve Jobs era um grande homem, mesmo sabendo que ganhou bilhões explorando crianças? Ou talvez porque nossos heróis são uma farsa? O mundo inteiro é só um grande boato. Assediando uns aos outros com comentários imbecis disfarçados de opiniões e mídias sociais que fingem promover intimidade. Ou será porque votamos nisso? Não através de eleições fraudadas, mas com nossas coisas, propriedades, nosso dinheiro.”

Ele não tem família ou amigos, apenas seus monitores e sua morfina em seu pequeno apartamento em Nova York. Seu pai faleceu depois de um acidente na fábrica do maior conglomerado do mundo, a E Corp (que ele chama “Evil Corp”). A letra E está em todos os lugares, de telefones celulares até alimentos industrializados e é comandada por homens corruptos e arrogantes.

Suas habilidades e o ódio pela empresa que matou o pai o levam a ser recrutado pelo líder de um grupo de ativistas — interpretado por Christian Slater — para destruir a Evil Corp e libertar as dívidas de cada ser humano. Elliot é uma mistura de Edward Snowden, Robin Hood e James Dean.

Qualquer programa de televisão razoável pode deixar você entrar na cabeça do personagem, mas “Mr. Robot” vai além. Hoje vivemos num mundo onde hacks de todos os tipos acontecem com frequência e o compartilhamento de dados se tornou uma arma.

Nós sabemos que Elliot não é mentalmente são, também por ser um junkie. Ficamos com a dúvida: será que ele está nos contando a verdade? Ou estamos lidando com o mesmo tipo de maluco de “Clube da Luta”?

A série estreou na semana passado no Brasil no canal a cabo Space. Cheio de mistérios, conspirações e reviravoltas, “Mr. Robot” é um entretenimento capaz de levar ao vício.

 

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