A saída de Xico Sá da Folha mostra uma nova fase na vida dos jornalistas

Ele disse chega
Ele disse chega

A saída estrepitosa de Xico Sá da Folha é um marco numa nova era na vida dos jornalistas.

Xico deixou o jornal depois que foi proibido de expressar apoio a Dilma numa coluna.

Quanto isso o indignou pode ser visto numa série de tuítes que continham um desabafo irado e sem freios.

“Só Reinaldões” podem defender candidatos na “imprensa burguesa”, disse ele.

Quer dizer: os candidatos que os donos das empresas apoiam, naturalmente.

Esse constrangimento – o jornalista saber que o limite de sua liberdade de expressão é a opinião de seu patrão – não é propriamente novo.

Novas são as circunstâncias trazidas pela Era Digital. Xico Sá tem, na internet, microfone para expor as suas razões e para criticar sem censura a Folha.

Terá também, na internet, maneiras de continuar sua carreira. É uma mídia florescente – ao contrário dos jornais – e ele construiu um nome capaz de atrair uma boa audiência.

Antes da mídia digital, pessoas incomodadas como Xico Sá engoliam seu desagrado pela falta de alternativas. Outros jornais e revistas eram a mesma coisa.

Agora, um jornalista não é obrigado a se contentar em repetir o que seu patrão quer que ele escreva.

A internet está aí. A autonomia é imensamente maior. Meu caso mesmo: em 25 meses de jornalismo digital expus muito mais minhas opiniões do que em 25 anos de carreira na Abril e na Globo.

Como é inexorável a migração – rápida — de publicidade para meios digitais, o jornalismo na internet logo atrairá os melhores jornalistas, como Xico Sá.

Mídias dominantes, ao longo da história, atraem os jornalistas mais talentosos. Nelas as oportunidades são maiores, o público é crescente – e as perspectivas na carreira parecem ilimitadas.

Para a Folha, a saída de Xico Sá é um golpe no marketing com que ela tenta convencer as pessoas de que não tem rabo preso com ninguém.

Tem sim.

Apenas, disfarça para enganar leitores menos argutos e mais crédulos.

Mas para quem trabalha lá a realidade não é muito diferente da que você tem em redações como a da Veja.

Você tem toda a liberdade de expressar suas opiniões – desde que elas coincidam com as dos donos.

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