A queda de Cármen Lúcia e o que ela poderia aprender com Dilma. Por Nathalí Macedo

Ela

Cara Carmen Lúcia,

São dias difíceis os seus no STF, imagino. Ontem mesmo os jornais noticiaram-na – não que isso importe tanto – como “desgastada”.

Desgastada é o termo que encontraram para dizerem que a senhora, com o perdão do palavreado chulo, não tem dado conta do recado.

Gilmar Mendes, o mais polêmico entre os ministros, já recebido com tomates em frente ao STF, jamais fora apontado como “desgastado” pela mídia, mas, a senhora deve saber, cobra-se mais das mulheres.

A senhora interrompeu, diz a manchete, uma discussão entre Gilmar e Barroso “em tom de voz baixo”, sem a postura dura necessária para interromper uma discussão.

A postura dura – e isso não é coincidência – era a responsável pelos comentários de que a então presidente Dilma Rousseff era “pouco carismática”.

Por falar nisso, a senhora tem muitas coisas a aprender com Dilma. Não acovardar-se diante de investidas masculinas é uma delas.

Entendo, de fato, o quão difícil deve ser para a senhora, mas defendo acima de tudo o direito que todos temos de dizermos a verdade: é preciso ter pulso para ser mulher em um lugar designado para os homens.

Dilma caiu de pé, e ficou provado, algum tempo depois, que sem ela era a nação que cairia – estamos caindo, a senhora também deve ter percebido.

A senhora, ao contrário, morrerá na praia; cairá por falta de coragem de fazer o que tem o poder de fazer em favor daquilo que acredita: de um jeito tão sem graça que, talvez, nenhum acadêmico queira algum dia escrever sobre a senhora na sua dissertação de mestrado.

De qualquer forma, a senhora, como pouquíssimas brasileiras, terá uma velhice confortável nos braços do ostracismo.

Com lamento,

Nathalí

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