A proibição da Globo de chamar as facções pelo nome é boa, sobretudo, para as facções. Por Kiko Nogueira

Ela não pode falar "PCC"
Ela não pode falar “PCC”

 

“A sabedoria nasce quando as coisas são chamadas pelo nome que elas têm”, disse Confúcio certa vez a um discípulo. “Se os nomes não estiverem corretos, a linguagem não estará de acordo com a verdade das coisas.”

A determinação da Globo de não invocar organizações como PCC, Família do Norte e Comando Vemelho pelo nome é um idiossincrasia idiota que favorece, sobretudo, a bandidagem.

A ordem, segundo conta Maurício Stycer no Uol, apareceu nos anos 80, quando o CV colocou o terror no Rio de Janeiro (Lobão confessou que foi “diplomata” do grupo nessa época, mas isso não vem ao caso agora).

Segundo Styver, o veto tem por objetivo não dar “publicidade” aos criminosos e às suas ações. Isso impediria que outras pessoas seguissem “o mau caminho”.

É pretensão e megalomania. Ou alguém acha que Marcola está preocupado com essa papagaiada?

É medo, também. Os caras são tão poderosos que a maior emissora do Brasil não tem coragem de citar o título de suas quadrilhas.

O resultado, para os profissionais, é a ginástica mental a que o pessoal da GloboNews, por exemplo, é obrigado para dar notícias. Leilane Neubarth, que já não é lá muito brilhante, faz o possível, sem sucesso, para ler o teleprompter sem se embananar.

O pobre espectador fica com a informação pela metade.

E todo esse zelo serviu para quê em termos de segurança, se era esse o caso? Para nada.

A maior das gangues, o PCC, surgiu em 1993 no Centro de Reabilitação Penitenciária de Taubaté, no Vale do Paraíba, por obra de uma dezena de detentos.

Enquanto Bonner e seus colegas se recusavam a pronunciar as três letrinhas, hoje é um exército calculado em 10 mil homens. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), movimenta 40 toneladas de cocaína e 200 milhões de reais por ano.

As autoridades afirmam que haja pelo menos mais 25 gangues apoiando o PCC ou o CV, que disputam o controle das fronteiras do país para o tráfico de drogas.

Somente neste ano, foram 60 decapitados em Manaus, mais 27 em Roraima, o caos e a barbárie instalados no país sem hora para terminar.

Tudo isso apesar de Gerson Camarotti, Fátima Bernardes, William Waack — e o ministro Alexandre de Moraes, que também acha essa estratégia maravilhosa — não proferirem esses títulos e não fazerem “propaganda” deles.

Não é incrível?

 

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