A novidade da última pesquisa do Ibope é um velho pastor, Everaldo Pereira

pastor everaldo

 

A última pesquisa Ibope traz uma novidade e não é nenhuma das que você está pensando. Com 3% das intenções de voto, aparece o Pastor Everaldo Pereira em quarto lugar. Levando em conta a margem de erro, isso significa que ele está tecnicamente empatado com Eduardo Campos (5%).

Como não é um rosto muito conhecido, presume-se que os entrevistados evangélicos embarcaram no nome de guerra (“pastor”). Mas Everaldo não é nenhum novato na área, como era seu colega Marco Feliciano, também do PSC.

Carioca, membro da Assembleia de Deus em Madureira, 57 anos, ele foi cabo eleitoral de Brizola em 1982 e fez campanha para Lula em 1989. Apadrinhado por Benedita da Silva, foi, mais tarde, subsecretário de Anthony Garotinho, quando esteve envolvido em um dos escândalos do governo, o do “Cheque-Cidadão”.

Everaldo era responsável pelo programa, em que 25 mil cheques nominais eram distribuídos a famílias carentes, que podiam trocá-los por alimentos de uma cesta básica em supermercados. Os cheques eram dados em 674 templos e igrejas, dos quais 569 eram evangélicos. “Por que esse pastor Everaldo tem o controle sobre a distribuição dos cheques? O cheque do pastor é dinheiro público”, perguntou Brizola na época.

Desde então, Everaldo só cresceu na foto. Apoiou Dilma em 2010 (inicialmente era Serra, mas mudou de ideia com um generosa doação do PT para o PSC). Tem uma estratégia para aparecer na TV durante as eleições. Aparecerá em todas as inserções de seu partido. Com isso, deverá ganhar mais visibilidade do que os três principais adversários.

Disse à Folha que será presidente, que acredita em milagre, “mas Deus não faz milagre sem a gente trabalhar. E a gente trabalha”. Pretende percorrer 11 mil quilômetros e nove capitais.

Seu irmão foi morto num assalto no Rio. Contou com o abraço amigo do ex-sócio Eduardo Cunha, deputado federal do PMDB do RJ. Com a ajuda de Cunha, fez do PSC um monstro. Não à toa, a agremiação ganhou a indicação para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, com o supracitado Feliciano — que, com sua, digamos, picardia, ajudou a popularizar o PSC, não necessariamente no bom sentido.

Everaldo já criticou, embora sutilmente, declarações desastradas de Feliciano, mas é claro que os dois concordam no atacado e no varejo. É um legítimo representante do fundamentalismo religioso. Não tem ideias (quem tem?), mas s orgulha daqueles princípios que atraem o eleitorado conservador: a favor do casamento “como está na Constituição” — entre homem e mulher –, contra a legalização do aborto e das drogas, pela redução da maioridade penal, contra os direitos das mulheres e por aí afora.

Sua influência, demonstrada nas pesquisas, é uma moeda poderosa e seu apoio será disputado a tapa. Ao menos não tenta disfarçar dizendo que representa “o novo” — até porque ele é o velho cuspido e escarrado.

Em 2000, Brizola fez uma advertência: “O governo [fluminense] tem de ser mais discreto, está vivendo um protestantismo exagerado”. Batatíssima. Catorze anos depois, o pastor Everaldo está aí, firme e forte, para comprovar que Deus é pai — dos outros, como dizia um amigo meu.

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