A miséria e a grandeza do jornalismo

Marie Colvin

 

Nós, jornalistas, temos, em geral, má fama.

Merecidamente, aliás.

Escândalos como os do falecido tablóide londrino News of the World, que invadia criminosamente caixas postais de milhares de pessoas na busca de furos, reforçam a imagem negativa do jornalismo.

É preciso que aconteçam fatos como a morte na Síria da correspondente de guerra Marie Colvin, do jornal inglês Sunday Times, para que fique visível, uma vez mais, o chamado outro lado da notícia.

Nascida nos Estados Unidos e radicada na Inglaterra, Colvin, aos 55 anos, estava em Homs, a cidade sob bombardeio incessante do governo sírio, para dar voz a quem não tem. Este o lado sagrado do jornalismo, pelo qual tantos de seus pecados devem ser perdoados. Um dia antes de morrer, ela dera uma entrevista à BBC na qual narrara ter presenciado a morte de um bebê – e clamava por apoio ao povo atacado de Homs.

Dos riscos que corria, ela estava consciente. Alguns anos antes, ela perdera a vista esquerda ao cobrir uma guerra no Sri Lanka e passara a usar um tapa-olho. Amigos seus lembram que, nas festas a que ela ia em Londres, Colvin colocava um tapa-olho enfeitado que acabaria se transformando num improvável ícone da moda entre os jornalistas ingleses.

Os jornalistas fazemos frequentemente coisas moralmente indefensáveis. Mas alguns de nós, como Marie Colvin, podem também ser grandiosos. Lamentavelmente, como lembrou um amigo de Colvin num tributo, não existem anjos da guarda para eles.

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