A mãe de bin Laden

Estou lendo um livro sobre os bin Ladens, a família que sob o patriarca Mohammed fez fortuna no ramo da construção na Arábia Saudita. É do jornalista americano Steve Coll, que trabalhou em publicações como a revista New Yorker e o jornal The Washington Post. O livro foi lançado no Brasil pela editora Globo. Recomendo-o vivamente.

Mohammed teve mais de 50 filhos. Um deles era Osama. A saga da família é muito bem contada no livro que estou lendo. Falarei dele nos próximos dias.

Mas é num aspecto particular que quero me deter rapidamente.

O livro conta que quando Osama já tinha declarado guerra aos Estados Unidos e era um fugitivo, em meados dos anos 1990, ele fazia questão de ligar regularmente para sua mãe. Quando suas ligações foram rastreadas, ali apareceram contatos explosivos de bin Laden com seus liderados na Al-Qaeda (“A Base”), mas também conversas com sua mãe.

A família, alguns anos antes do 11 de Setembro, o repudiou. Ele era um embaraço para os negócios da empresa.

Os Estados Unidos fizeram pressão para que os bin Ladens rompessem todos os laços com Osama, até para não escoresse de alguma forma dinheiro da companhia para ele e suas atividades terroristas.

Ninguém mais falou com ele. Exceto a mãe. Os Estados Unidos não gostaram de saber que eles mantinham contato.

“Peça tudo a uma mãe árabe menos que não fale com seu filho”, alguém explicou a um agente americano.

O próprio Osama, numa conversa, afirmou: “Quem sofre mesmo é a mãe.”

É um fato da vida que, se dependesse das mães, e agora penso na minha, tão longe e tão perto, se dependesse delas, eu dizia, o mundo não seria o horror que é.

Este texto é dedicado a todas as mães.

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