A lição de democracia de Maduro para Aécio e FHC. Por Paulo Nogueira

Mais digno e mais honesto que os golpistas brasileiros: Maduro
Mais digno e mais honesto que os golpistas brasileiros: Maduro

Maduro reconheceu imediatamente a derrota na Venezuela e afirmou que era uma vitória da democracia.

Clap, clap, clap.

De pé.

Os chavistas perderam o controle na Assembleia Legislativa, mas não perderam a compostura.

Maduro fez o oposto, o exato oposto, que Aécio e seu mentor FHC vem fazendo desde outubro de 2014.

Eles jamais aceitaram a derrota. Não respeitaram em nenhum momento os 54 milhões de brasileiros que votaram em Dilma. Desprezaram e tentaram anular o que existe de mais belo e mais puro nas democracias: as urnas. Uniram-se ao que há de mais corrupto e mais podre na política brasileira, Eduardo Cunha.

Para tanto, se utilizaram dos pretextos mais sujos, mais sórdidos, mais cínicos. Tudo valeu e tudo vale para promover um golpe que, caso realizado, vai remeter o Brasil para o estágio de Republiqueta. Até as urnas eletrônicas foram postas sob suspeita.

É a plutocracia com seus vassalos de sempre, como Aécio e FHC hoje e Lacerda e Roberto Marinho ontem, pronta para desestabilizar e derrubar governos populares.

Não importa para Aécio e FHC que o Brasil seja arremessado a uma convulsão social por causa do golpe em marcha.

Ou, em sua brutal miopia reacionária, eles imaginam que vão roubar – esta a palavra, roubar – o poder sem reação?

Os brasileiros mais esclarecidos – e eles vão muito além dos petistas – já não conseguem mais segurar sua raiva.

Teve uma força simbólica formidável o coro entoado nos shows de Caetano e Gil no Rio de Janeiro na música Odeio Você. Espontaneamente, os jovens presentes montaram uma parceria vocal com Caetano. Odeio você Cunha.

Cunha é odiado por se apropriar de dinheiro dos brasileiros, descaradamente inventar histórias nas quais ninguém pode acreditar e depois usar seu cargo espuriamente para tentar escapar da punição que merece ao jogar as luzes para o processo de impeachment.

Seus sócios neste crime de lesa democracia, a começar por Aécio e FHC, acham que vão escapar do ódio despertado por Cunha? Eles vão esperar que as plateias berrem “Odeio você Aécio”.

Aécio e FHC estão cometendo um erro de cálculo extraordinário. Vivem num mundo antigo, e imaginam que a mídia amiga vai proteger sua reputação neste golpe.

Ora, esta é a Era da Internet, e não há Marinhos, Frias, Civitas, Mesquitas que façam a chuva parar.

Acabamos de ver o que aconteceu com Alckmin no embate com os estudantes de São Paulo. Mesmo apoiado pela imprensa, Alckmin foi derrotado, com um preço devastador sobre sua imagem, quando nas redes sociais viralizaram fotos e vídeos de seus policiais batendo na garotada.

Os golpistas perderão – ou agora ou depois. Não existe chance de que sua empreitada macabra dê certo.

Neste exato momento, os brasileiros têm a oportunidade de ver o contraste que surge da Venezuela.

Maduro fez o que qualquer democrata digno faz ao perder: reconheceu a derrota no mesmo dia. E vai tratar de aprender as lições para futuras eleições.

Aécio e FHC são infames, abjetos, desprezíveis ao sabotar a democracia fingindo, como os generais de 1964, protegê-la.

Me ocorre um título de Puig ao pensar neles. Começa assim: maldição eterna.

E então, como a plateia de Caetano e Gil, dou meu complemento a Puig. Maldição eterna e Aécio e FHC.

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