A justiça poética da eliminação do São Paulo

Mereceu
Mereceu

Ladies & Gentlemen:

Daqui de meu canto, em Ranelagh Gardens, a 10 000 km de vocês, na madrugada fria desta pré-primavera londrina, soltei um solitário rojão para comemorar o passamento do São Paulo no campeonato paulista.

Um rojão imaginário, naturalmente, uma vez que eu poderia ser preso como terrorista se disparasse fogos no silêncio inexpugnável de minha casa.

Ladies & Gentlemen: celebrei a justiça que se abateu, certeira, sobre o Tricolor.

Já que no Brasil clubes que entregam jogos não são punidos pelas federações, que se faça pelo menos alguma forma de justiça poética.

Tanto o time quanto a torcida mereceram o sofrimento e a humilhação de cair no próprio estádio diante de um time combativo, é verdade, mas absolutamente inexpressivo.

Aqui na Inglaterra é inimaginável um time entregar um jogo. Até a Rainha ficaria revoltada.

Mas o São Paulo é reincidente. No curto tempo em que cubro o futebol brasileiro a pedido de Boss, foram duas as vezes em que o Tricolor perdeu de propósito, apenas para prejudicar o Corinthians.

Certas coisas, quando você está construindo um país como é o caso de vocês, são difíceis de fazer. Acabar com a miséria é um caso.

Mas outras são simples: coibir marmeladas em campo, por exemplo. Puna severamente quem fizer isso com multa, suspensão e a abominação pública.

Se você tolera delinquências como marmeladas vai acabar aceitando muito mais.

Chrissie, minha neurastênica e azeda esposa, me perguntou, hoje pela manhã, por que eu dormi com uma risada pregada em meu rosto quase lindo.

“Porque Deus é justo”, disse.

“Mas Scott: desde quando você acredita em Deus?”

“De vez em quando acredito. Ontem à noite acreditei.”

“Oh, old silly man …”

Sincerely.

Scott

Tradução: Erika Kazumi Nakamura

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