A história mal contada do bangue bangue de Flávio Bolsonaro. Por Mauro Donato

Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro

 

Avenida das Américas, Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onze da manhã. O semáforo fica vermelho e dois assaltantes abordam um veículo. No carro de trás está Flávio Bolsonaro, deputado estadual pelo PSC. O filho do deputado federal Jair Bolsonaro sacou então seu revólver e disparou vários tiros, protegendo o pobre cidadão indefeso.

Segundo declarou na 16ª DP, um dos meliantes foi ferido mas ambos conseguiram empreender fuga. O carro do deputado apresentava perfurações a bala.

Ao sair da delegacia, Bolsonaro filho, representante da comissão parlamentar que investiga a morte de policiais, aproveitou para citar as dificuldades vividas pela polícia e a falta de estrutura e disse ter agido em ‘legítima defesa de terceiros’.

A história ainda precisa de mais esclarecimentos. Uma outra versão dos fatos dá conta de que o carro da frente na verdade era da comitiva do deputado e levava seus seguranças. É também no mínimo estranho que haja ao menos quatro tiros no parabrisa do carro do deputado, no lado do carona, exatamente onde ele estava, e que nada tenha sofrido.

Também para isso há uma versão de que os tiros que furaram o vidro foram disparados de dentro do próprio carro (quem, pelamor, faz uma coisa dessas??).

Independentemente dos detalhes, a verdade é que Flávio Bolsonaro, embora possua porte de arma, não é policial, não está escalado para ser justiceiro da Barra da Tijuca, nem do Rio de Janeiro, nem de lugar algum. Ao que tudo indica, uma sorte gigantesca fez com que não houvesse inocentes feridos ou mesmo vítimas fatais.

Ou não foi sorte?

O ocorrido tem cheiro de propaganda em defesa do armamento da população. Desnecessário dizer que o parlamentar é ferrenho defensor dessa matéria, assim como seu pai e seu irmão, que lutam pela revogação do Estatuto do Desarmamento.

Seu irmão Eduardo, aliás, já compareceu em uma das primeiras manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff em plena avenida Paulista com uma arma na cintura e fez questão de deixá-la à mostra.

O novo Estatuto de Controle de Armas proposto pelos amigos dos Bolsonaro reduz a idade mínima para se obter porte de armas para 21 anos (era 25), diminui a restrição ao acesso para pessoas que respondem a inquérito policial ou a processo criminal e autoriza algumas categorias profissionais como taxistas e caminhoneiros a levar armas em seus veículos sem nem precisar de porte, entre outras aberrações.

O faroeste tem seu porquê. A indústria armamentista fez doações para campanhas nas eleições de 2014. A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e a Taurus ‘investiram’ um total de R$ 1,91 milhão (dados do TSE) e todos os candidatos à Câmara dos Deputados financiados por essas empresas foram eleitos.

Então agora Flávio Bolsonaro dá sua demonstração do que um homem de bem pode fazer com um revólver na cintura. Irá erradicar a criminalidade, mandará os assaltantes para o céu – sem escalas – e libertará Gotham City.

Assim como o pai e o irmão, Flávio Bolsonaro afirma que não existiu ditadura no Brasil, é a favor da pena de morte e da redução da maioridade penal e se opõe ao que chama de “exploração midiática da aplicação de direitos humanos para o benefício do crime e dos criminosos”.

Se tivesse acertado alguém na rua, Bolsonaro sairia pela porta da frente da delegacia do mesmo jeito. O que mais podemos esperar?

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here