A grandeza do olhar de Amanda Palmer para a tragédia de Boston

O polêmico poema que ela escreveu para o suspeito sobrevivente é um triunfo da humanidade sobre a barbárie.

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Grandeza na miséria: Amanda Palmer

Em meio à miséria humana emergem momentos de inesperada elevação, e são eles que costumam devolver alguma esperança à humanidade em sua longa e sofrida e patética jornada.

Agora mesmo.

A cantora Amanda Palmer enfrentou a ira tonitruante da visão convencional ao postar em seu blog um poema de compaixão por Dzhokhar Tsarnaev, o suspeito de 19 anos do atentado de Boston.

Você pode imaginar a pancadaria que Amanda está recebendo, mas os insultos passarão e o poema ficará.

Amanda vai até o fim com uma série de “você não sabe”.

Ela nota, por exemplo, que ele não sabe como é possível sentir completa compaixão num momento e desconexão absoluta em outro.

E também não sabe como as coisas podem mudar tão incrivelmente rápido. E nem como chorar o irmão morto, e nem como avaliar o valor da nota de 20 dólares que segurava ao ser capturado, a garganta cortada numa tentativa de suicídio.

Amanda enxergou o que nós não conseguimos ver: Dzhokar foi, também ele, uma vítima adolescente de um mundo sem sentido.

Não se trata de fazer uma escolha binária, demonstrou Amanda: ou lamento as vítimas do atentado ou lamento os suspeitos.

Choremos – é claro – as vítimas, entre as quais uma criança.

Mas não esqueçamos as circunstâncias em que foram que destruídos, também, dois irmãos que poderiam estar agora fazendo as coisas que jovens fazem.

Muitos americanos brilhantes, como Howard Zinn, Thomas Naylor e Noam Chomsky, têm dito há muito tempo que a política externa americana é uma fábrica de jihadistas.

Olhe para o que os Estados Unidos têm feito no Iraque. No Afeganistão. No Iêmen. No Paquistão. Em tantas partes.

As bombas americanas matam crianças o tempo todo.

Você pode imaginar o tamanho da revolta que toma muitos muçulmanos diante de um massacre frenético diante do qual a humanidade é covarde, assim como aconteceu diante da Alemanha de Hitler com os judeus, para dar um basta.

A revolta por causa da violência semeia extremistas.

Enquanto isso – a brutalidade dos Estados Unidos – não mudar, estarão surgindo jihadistas dispostos a tudo.

É por tudo isso que Amanda Palmer merece uma entusiasmada salva de palmas.

Fosse a generosidade compassiva dela algo mais espalhado pelo mundo, e não enfrentaríamos horrores como o atentado de Boston

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