‘Vai, Corinthians. A gente nunca vai te abandonar’

A vida em branco e preto é mais colorida do que os infiéis imaginam

 

O artigo abaixo foi escrito pelo publicitário Márcio Nogueira, corintiano há mais de mil anos e bicampeão mundial desde este mês de dezembro.

Eu nasci branco. E preto. Desde que cheguei a este mundo, estava pré-determinado pelos deuses: “Esse menino é branco. E preto”.

Eu nasci preto. E branco. Desde que me dei conta do que eu era, me imaginava, um dia, campeão. Mas os deuses continuavam a determinar minha vida: “Esse menino é preto. E por enquanto vai passar em branco”.

E assim fui vivendo esta minha vida em preto e branco. Sofrendo, sorrindo. Parando, seguindo. Perdendo, ganhando.

Os deuses me fizeram tão alvinegro, que ganho a vida colocando palavras em preto, sobre um papel ou uma tela em branco. E quando isso acontece, eu os ouço dizendo: “Continua, menino. Idéia boa é assim, preto no branco”.

O autor, em branco e preto

Um dia esses deuses quiseram que, além de mim e de milhões como eu, o mundo voltasse a ser preto e branco. Mesmo com muita gente multicolorida apostando no azul, o preto e branco invadiu as terras amarelas e dominou novamente o planeta. Dizem que até o vermelho Gagarin se retratou lá do outro mundo: “camaradas, a terra é alvinegra outra vez”.

O país do sol nascente iluminou o mundo preto e branco. Olhos puxados se arregalaram e se misturaram a olhos abertos pela esperança. Olhos que se encharcaram de lágrimas, ao guardar nas suas retinas um momento, um átimo, uma fração, uma emoção única.

O menino de hoje, com seus cabelos mais brancos que pretos, se orgulha de fazer parte desta nação, deste povo guerreiro, que não desiste nunca. Porque sabe que o filme da sua vida é em preto e branco e estrelado por deuses que não se cansam de gritar: “Vai, Corinthians. A gente nunca vai te abandonar”.

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