A Folha criminalizou as palestras de Lula, mas trata como ‘possível conflito de interesse’ as de Doria. Por Donato

Palmas para ele que ele merece
Palmas para ele que ele merece

 

Inevitável traçar o paralelo: palestras e propriedades.

O Lide, uma das empresas do prefeito João Doria, está em campanha de vendas oferecendo palestra dele mesmo. Será um almoço com o prefeito. Para sentar-se à mesa com ele e ouvir sua explanação do tema “O impacto de uma gestão eficiente na cidade de São Paulo”, é necessário desembolsar 50 mil golpes (R$ 50.000,00).

No meio empresarial, o Lide é conhecido por seu apetite. Empresários contam que quando demoravam um pouco para retornar com a aprovação ou mesmo declinavam de uma abordagem, o próprio Doria ligava para reforçar o pedido de patrocínio. No final do ano passado o Lide promoveu um jantar de natal e arrebanhou nada menos que R$ 1,81 milhão.

Mas vamos aos paralelos com a história recente. Lula foi apedrejado por proferir palestras. Os argumentos iam desde a desconfiança de que elas realmente teriam sido realizadas, lançaram suspeitas sobre lavagem de dinheiro e propiciaram as chacotas de sempre a respeito de sua competência em face a pouca escolaridade.

Com Doria, a mídia ‘passa o pano’. Haveria, talvez, quem sabe, um ‘possível’ conflito de interesses. Doria é o prefeito, a empresa que está organizando é dele. Isso não basta?

Aqui vamos ao segundo paralelo mencionado no início do artigo. Ainda durante a campanha, Doria passou o controle acionário de suas empresas – o Lide incluso – a seus filhos. Em resumo, ao ser questionado sobre o ‘possível conflito de interesses’, o prefeito irá dizer: “Mas a empresa não é minha” (Gustavo Ene, CEO do Lide, já tem fornecido exatamente esta explicação).

Alguém se lembra de todo o escândalo feito em cima do sítio de Atibaia e do apartamento do Guarujá em torno de Lula? O barulho foi tamanho que colaborou com o impeachment de quem nada tinha a ver com os patinhos-pedalinhos.

Esconder patrimônio foi então visto pelo povo brasileiro como um disparate, um crime inafiançável, digno de fuzilamento… desde que seja com Lula. Com Doria é diferente. Ele passou para os filhos mas não é dele, entendeu?

Essa safra de não-políticos que esteve se elegendo devido o cansaço popular com a política tradicional (que no caso de Doria é um grande embuste, mais um caso de propaganda enganosa, ele é a terceira geração de uma família de políticos, vovô e papai já o eram) precisa de muito mais transparência do que políticos carreiristas.

Donald Trump, que assumirá a presidência dos EUA amanhã, terá poder de decisão sobre assuntos que podem beneficiar diretamente suas muitas empresas (as Organizações Trump têm centenas de empresas, holdings, investimentos, marcas e outros negócios).

Adivinhe o que fez Trump? Passou o controle administrativo do grupo para os filhos. No papel, obviamente. Uma forte pressão ocorre para que ele liquide suas empresas e negócios. Terá êxito?

Por aqui, quais as garantias o prefeito Doria pode dar de que essas empresas ‘parceiras’, ‘patrocinadoras’, ‘apoiadoras’ de seus almoços de 50 mil reais não irão ser beneficiadas em projetos e serviços para a prefeitura?

Em seu perfil, o LIDE se apresenta como uma ferramenta para o ‘fortalecimento da livre iniciativa do desenvolvimento econômico e social, assim como a defesa dos princípios éticos de governança corporativa no setor público e privado’. Ok, ótimo. Seu presidente Doria já invadiu área pública para ampliar sua casa de veraneio. Ético, não?

 

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