A falta de sintonia com Temer pode levar Marta ao naufrágio de sua campanha à prefeitura de SP. Por José Cássio

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São cada vez maiores as chances de Marta Suplicy ser tragada pelo xadrez político de Michel Temer e terminar falando sozinha na corrida pela prefeitura de São Paulo.

Cristã nova no PMDB, a senadora, que tem a maior rejeição entre os pré-candidatos, viu o ministro interino da Casa Civil, Eliseu Padilha, exaltar a candidatura de João Doria (PSDB) há duas semanas.

Agora, assiste a aproximação do ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, com o presidente em exercício Michel Temer, numa jogada que envolve o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, e turbina a candidatura de Andrea Matarazzo (PSD).

A falta de sintonia entre Marta e Michel Temer não é só evidente nos compromissos públicos da senadora – dia sim, outro também, sozinha, percorre a cidade defendendo os projetos do seu período (2001-2004) na prefeitura pelo PT, sem nenhum compromisso com a defesa das teses representadas pelo interino.

Numa declaração que chocou até Luiza Erundina, que vai disputar a prefeitura pelo PSOL, Marta chegou a afirmar que “meu voto pelo impeachment não é relevante para o eleitor da periferia” – ato falho que reforça seu descaso com a escalada de Temer e com a própria democracia.

No início de maio, a senadora garantiu que Temer iria manter os programas sociais do governo Dilma.

Se não estivesse tão desinformada teria evitado o deslize: na mesma semana em que assumiu a Presidência, Temer ordenou o desmonte do Bolsa Família, descontinuou o Minha Casa, Minha Vida, atacou as cotas sociais e agora investe contra as leis trabalhistas, acenando com uma reforma da Previdência flagrantemente contrária aos interesses dos trabalhadores e permitindo dar curso a uma idéia quase criminosa, que é a implantação da jornada de 80 horas semanais.

Sem considerar Marta, Temer usa as eleições em São Paulo para garantir os apoios de que precisa junto ao PSD do ministro Gilberto Kassab e o PSDB de Goldman, Serra e cia.

A senadora vai sendo mantida em banho-maria, lembrada apenas quando há interesse por parte do interino, como quando foi chamada para apagar o incêndio na Cultura ao convidar a apresentadora Marília Gabriela para o cargo.

Tiro no pé. Marília Gabriela não só recusou como teceu críticas ao governo golpista. Afirmou que lamentava ter sido convidada por ser uma figura midiática.

“Eu seria apenas uma estampa de um governo que não prestigiou a mulher. Também não sou gestora”, disse.

Sem apoios expressivos no PMDB, vendo suas bases serem solapadas pelos próprios homens-chaves do interino, e principalmente distante das lideranças do ex-partido, no qual militou por 30 anos, Marta acabou recorrendo a uma aproximação de caráter comercial para obter algum apoio de peso: abriu os cofres e trouxe do PSDB o ex-deputado Xico Graziano, contratado para reformular a estratégia da senadora nas redes sociais.

Graziano já declarou que seu objetivo é fazer com que Marta ganhe do PT.

Ele foi um dos responsáveis pela campanha de Aécio Neves em 2014 e afirmou que não pretende deixar o PSDB, para espanto do presidente do diretório municipal do partido, Mario Covas Neto, que chegou a declarar que sua permanência no partido é “injustificável” do ponto de vista da ética partidária.

Apoiar Marta, Doria ou Andrea Matarazzo é apenas um detalhe para o interino Michel Temer.

O que pesa contra a senadora é que, no cabo de guerra envolvendo padrinhos graúdos do Alvorada, ela está órfã. Se João Doria conta com a simpatia do todo poderoso Elizeu Padilha, Matarazzo agora tem, além de Serra, Gilberto Kassab e Alberto Goldman.

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