A exposição dos Stones em Londres

As 76 fotos dos Rolling Stones expostas numa galeria num castelo do século 16, restaurado no século 18, formam um belo painel da trajetória de um fenômeno pop. Ali está o primeiro retrato oficial deles, encostados nas clássicas cabines telefônicas inglesas, e mais um punhado de fotografias raras ou inéditas. Tem os cinco de terninho, em 1965, nos estúdios da extinta Alpha TV, para surpresa de quem sempre achou que terninhos eram um departamento exclusivamente beatle.


O Somerset é um centro cultural com galerias de arte, cafés, restaurantes e shows ao ar livre. Fica às margens do Tâmisa, perto da estação Temple. No inverno, ganha um rinque de patinação. É uma daquelas jóias da arquitetura e do fausto europeus, recheada de mística, com paredes, que, se falassem, contariam histórias de traição, sexo, ambição, poder (o duque de Somerset foi executado por traição pela rainha Elizabeth). Ou seja, tudo a ver com os Stones.


É uma exposição no tamanho ideal, organizada cronologicamente, com as pequenas salas bem iluminadas naturalmente.  Jagger e Richards, obviamente, dominam o ambiente. Brian Jones tem uma fatia justa, inclusive um close da época pré-bolsas sob os olhos. Mick Taylor, o gênio precoce que entrou na “empresa” em 1969, aos 20 anos, gravou os quatro discos mais importantes e saiu em 1974 reclamando de ter sido roubado, surge num mísero flagrante na grama do Hyde Park. Ronnie Wood, seu substituto, está em quatro quadros (um deles com o pai nos bastidores de um show).

Algumas das imagens estão à venda em tiragens limitadas, com o infame selo da língua. A entrada é gratuita. Se você se sentir muito culpado, pode visitar a mostra do fotógrafo Sebastião Salgado, cuja carreira é dedicada a registrar miseráveis de todos os cantos do planeta. Os Stones nunca fizeram questão do seu amor, apenas do seu dinheiro.

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