A denúncia contra Eduardo Bolsonaro e as esperanças de uma mulher num Judiciário duvidoso. Por Nathalí Macedo

Eduardo Bolsonaro e Patrícia Lélis em tempos mais felizes

As coisas não estão exatamente boas para a família Bolsonaro.

O pai denunciado pela PGR por racismo, o filho denunciado pelo mesmo órgão e na mesma semana por ameaça à jornalista Patrícia Lélis – a mesma que acusa de estupro o pastor-deputado Marco Feliciano.

Rosa Weber julgará o Bolsonaro-pai.

Talvez diga que é contra o racismo mas votará pela absolvição para “seguir o entendimento geral”.

O processo de Patrícia Lélis contra Eduardo Bolsonaro terá como relator o ministro Luís Roberto Barroso – aquele que disse que Gilmar Mendes desmoraliza o STF e votou a favor do uso de banheiros femininos por mulheres transexuais –, progressista, talvez.

E talvez minorias ainda possam contar com o STF, ainda que muito pontualmente.

As interceptações telefônicas atribuem ao celular de Eduardo Bolsonaro ameaças gravíssimas que ele tenta disfarçar com clichês feitos para tirar o corpo fora.

“Entenda como quiser. Depois reclama que apanhou. Você merece mesmo. Abusada. Tinha que ter apanhado mais pra aprender a ficar calada. Mais uma palavra e eu acabo com você. Acabo mais ainda com a sua vida”…

Eduardo, que foi avisado pela vítima de que a conversa estava sendo gravada, decerto não considera o Judiciário bom entendedor (“Enfia a justiça no cu” – E. Bolsonaro, 2018).

“Tinha que ter apanhado mais” é uma máxima dos conservadores quanto às mulheres que ousam enfrenta-los, incomodá-los ou abandoná-los (a jornalista, ao que parece, faz as três coisas), mas “mais uma palavra ou eu acabo com você” é claro como água.

O Judiciário tem dois caminhos: decidir não enxergar o óbvio ou condenar Eduardo Bolsonaro e nos dar uma migalha de esperança em um país tão difícil para existir enquanto mulher.

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