80 horas semanais: a plutocracia cobra a conta de Temer. Por Carlos Fernandes

Jornadas intermináveis são um insulto à sociedade
Jornadas intermináveis são um insulto à sociedade

O plano inicial era que o verdadeiro arrocho fiscal patrocinado pelo governo Temer só seria divulgado após a votação do impeachment no Senado. Caso os excelentíssimos senadores outorgassem o golpe, aí sim o traidor mostraria a que veio.

Nesse meio tempo a idéia era agradar a todos numa espécie de “matemática alternativa”. Ao mesmo tempo em que aprova “bondades” que impactam em bilhões os cofres do tesouro nacional, tece o enfadado discurso do “inegociável” controle dos gastos públicos.

O problema é que tempo é dinheiro. E se existe uma coisa que capitalistas não gostam de perder é exatamente isso: dinheiro. Sendo assim, antes que o previsto, eis que o alto empresariado brasileiro bate à porta de Temer com a fatura na mão.

Em reunião realizada nesta sexta (8) com o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Braga de Andrade, o presidente interino ouviu as suas “propostas” (entre aspas porque o verdadeiro nome é impublicável) para equilibrar as contas públicas .

Não houve rodeios, de cara o cidadão sentenciou que o atual governo deve promover “medidas duras” na Previdência Social e nas leis trabalhistas que, segundo ele, nos impedem de ter uma indústria competitiva.

As medidas passariam, entre outras maravilhas, pela mudança da jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para a possibilidade de até 80 horas no mesmo período. Praticamente o dobro. Sobre o quanto se pagaria a mais pelo aumento da jornada de trabalho não foi exatamente discutido. Questões secundárias, digamos assim.

Em entrevista após o encontro, Andrade, como que falando para a massa proletária, afirmou: “A gente tem que estar aberto para fazer essas mudanças. E nós ficamos aqui realmente ansiosos para que essas mudanças sejam apresentadas no menor tempo possível”.

Nós quem cara?

O que a CNI, tanto quanto a FIESP do intragável Paulo Skaf defendem, é tão somente os interesses de quem explora, jamais os dos explorados. Querer fazer crer que o desmantelamento da Previdência Social e da Consolidação das Leis Trabalhistas são bons para o trabalhador insulta até o mais midiotizado dos golpistas.

Ou não. A alienação é realmente infinita.

Mas o fato é que o corporativismo empresarial a serviço da ganância capitalista deixa claro que qualquer benefício pode ser revogado e todo o sacrifício pode ser desprendido desde que não lhe digam respeito.

Explica-se.

Sobre os aumentos de impostos que já começa a ser admitido por Meirelles, Andrade – bem como os 100 empresários do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação que também estiveram presentes na reunião – se declararam totalmente contra.

Segundo o presidente da CNI: “Um aumento na carga tributária seria ineficaz e resultaria, neste momento, na redução das receitas, uma vez que as empresas estão em uma situação muito difícil”. As empresas, que fique claro. A situação dos trabalhadores não foi posta em pauta.

E o que disse Michel Temer sobre tudo isso? Absolutamente nada. Saiu sem dar entrevista. Como quem cala consente, o horizonte que se apresenta caso o golpe seja confirmado é realmente nebuloso. Para os trabalhadores é claro.

Mas sobre isso, Andrade tenta nos tranquilizar. Filosofou ele: “O mundo é assim”.

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