300 malas sem alça na Paulista: o “fenômeno” Bolsonaro só existe no Facebook. Por Kiko Nogueira

 

Não fosse por uma refrega na altura da Igreja da Consolação, em que a tropa de choque da PM jogou algumas bombas contra meia dúzia de garotos, o ato em defesa de Jair Bolsonaro em São Paulo não teria sido notado.

Pelo menos 3 mil pessoas confirmaram presença na página do Facebook que convocava para a manifestação.

Havia, no auge, 300 malas sem alça, por volta das 14h de domingo, dia 3. O figurino e o repertório eram os clássicos da direita indigente:  bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo, jovens criados a leite com pera vestindo camisetas com a foto do “mito”, cartazes defendendo intervenção militar e a inocência do heroi.

Entoavam gritos de guerra em consonância com o pensamento vivo de JB. Um deles virou hit: “Obrigado, Ustra, graças a ti o Brasil não virou Cuba”.

Eles estão indignados porque no último dia 21 a Primeira Turma do STF aceitou denúncia contra Bolsonaro por incitação ao crime de estupro.

Uma moça me contou que Bolsonaro a representava por que ele falou a verdade para a deputada Maria do Rosário e, portanto, era inocente. É uma lógica muito louca, mas é inútil tentar extrair sentido nesse negócio. Consta que Alexandre Frota deu as caras, mas a cena estava tão triste que ninguém viu nada.

Não é de bom alvitre ignorar o fascismo. Pândegos como Mussolini e Hitler eram ridicularizados, no início, por seus inimigos (exceto por Churchill). Deu no que deu.

Mas é inevitável: eles são inacreditavelmente patéticos. Bolsonaro aparece relativamente bem nas pesquisas — entre 6% e 8% no Datafolha —, especialmente entre brasileiros com maior poder aquisitivo.

Na vida real, porém, dá para ver o limite do fenômeno Bolsomito. Eles vivem, mesmo, no Facebook, xingando, difamando, vomitando impropérios. Se não saem de casa num domingão de sol para lutar por seu cavaleiro da esperança no momento em que ele mais precisa, imagine para votar no imbecil.

 

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