15 livros para ler em 2016. Por Luísa Gadelha

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Dois mil e quinze não foi um ano agitado apenas na política brasileira: também tivemos muitas novidades literárias. Tivemos excelentes romances concorrendo ao prêmio Jabuti (três dos quais listados aqui), teve a Editora Nemo dando atenção ao mercado de quadrinhos e publicando muita coisa de qualidade, teve romance de um dos maiores compositores brasileiros, teve poema erótico escrito por freiras do século XVIII, teve escritor sumido há uma década ressurgindo com uma novidade inusitada…

Elaboramos uma seleção dos melhores lançamentos de 2015, incluindo obras nacionais e internacionais, ficção, ensaios, poesia e quadrinhos.

1. O Gigante Enterrado (Kazuo Ishiguro) – Companhia das Letras, 396 pgs.

Após uma década sem escrever, Kazuo Ishiguro lançou, em março, este épico arturiano ambientado numa Inglaterra “encantada”. O casal Axl e Beatrice viaja por uma terra amaldiçoada e devastada por guerras à procura de seu filho e se depara com seres míticos. Apesar dos elementos fantásticos e da comparação com Tolkien e George R. R. Martin, Ishiguro afirma que seu romance é sobre a memória e suas múltiplas facetas: sobre como podemos esquecer o passado e até mesmo reinventá-lo, distorcendo lembranças e impressões.

2. A Cabeça do Santo (Socorro Accioli) – Companhia das Letras, 176 pgs.

A ideia do romance surgiu de uma oficina literária que a autora, Socorro Accioli, fez com o escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez. Nele, Samuel, um rapaz do interior do Ceará, parte para a cidade de Candeia, onde encontra uma estátua inacabada de Santo Antônio, com a cabeça separada do corpo. Dentro da cabeça, que se assemelha a uma espécie de gruta, Samuel começa a ouvir vozes femininas em suas preces ao santo padroeiro dos enamorados. Através de uma série de artimanhas, Samuel decide cultivar esse dom para oferecer conselhos amorosos e unir casais. O romance foi publicado no final de 2014 e concorreu ao prêmio Jabuti 2015.

3. Pílulas azuis (Frederik Peeters) – Nemo, 208 pgs.

A graphic novel Pílulas Azuis conta a história autobiográfica do relacionamento do autor, Frederik, com uma mulher portadora do vírus HIV. Após saber da condição crônica de sua companheira, Frederik deve se adaptar ao cotidiano de medicamentos e ao medo da contaminação. A dúvida, o temor, o preconceito e a insegurança são temas tratados de forma sutil e com delicadeza, sem cair na pieguice.

4. Assim começa o mal (Javier Marías) – Companhia das Letras, 512 pgs.

Javier Marías é um dos maiores escritores contemporâneos. Seu estilo de frases longas, recheadas de vírgulas e digressões dentro de digressões, permanece em seu novo romance. Assim como também permanece a temática já tratada em romances anteriores: a arte de contar, de (des)confiar, de trair, de espreitar, de mentir, de espionar. A história se passa em Madri no início década de 1980, logo após o fim da ditadura franquista. Juan Vere, o narrador, é contratado para investigar o passado de um determinado sujeito, e acaba espionando, também, a família do homem que o contratou.

5. Número Zero (Umberto Eco) – Record, 208 pgs.

Um manual do mau jornalismo, Número Zero é o sétimo romance de Umberto Eco. O cenário é uma redação de jornal onde observamos estratégias de persuasão e convencimento e a maneira como um periódico pode manipular e selecionar notícias, induzindo o leitor a acreditar no que se quer. Temos, ainda, as peripécias inerentes aos livros de Eco, com teorias da conspiração e personagens históricos.

6. Gratidão (Oliver Sacks) – Companhia das Letras, 64 pgs.

Falecido em agosto desse ano, essa obra póstuma traz quatro ensaios do famoso neurologista inglês. Oliver Sacks ficou conhecido pelo livro O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, que trata de doenças neurológicas curiosas e um tanto quanto inusitadas. Em Gratidão temos um de seus últimos textos, publicado pouco antes de morrer, no qual Sacks reflete sobre o significado da vida e da morte. “Não consigo fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão. Amei e fui amado, recebi muito e dei algo em troca, li, viajei, pensei, escrevi”, diz o autor.

7. Sono (Haruki Murakami) – Alfaguara, 120 pgs.

Murakami é o escritor japonês mais popular no ocidente. Sua obra é permeada de referências a filmes, livros e músicas da cultura pop ocidental. O conto é de 1990, mas apenas nesse ano foi publicado no Brasil, em uma edição caprichada com belíssimas ilustrações de uma artista suíça. Nessa história de elementos fantásticos, somos apresentados ao cotidiano de uma mulher comum que simplesmente deixa de dormir. Contraditoriamente, ela começa a viver mais avidamente e a ter cada vez mais energia.

8. Quarenta Dias (Maria Valéria Rezende) – Alfaguara, 248 pgs.

Vencedor do prêmio Jabuti 2015 na categoria romance, o livro de Maria Valéria Rezende traz como protagonista e narradora Alice, uma professora aposentada que, numa reviravolta familiar, larga a vida pacata em João Pessoa para peregrinar por Porto Alegre. Lá, anota suas experiências numa espécie de diário, um caderno escolar estampado com a boneca Barbie.

9. Como conversar com um fascista (Maria Tiburi) – Record, 196 pgs.

Com prefácio de Jean Wyllys, o livro de Marcia Tiburi, filósofa e professora universitária, apresenta uma série de ensaios com reflexões sobre o atual cenário político brasileiro. A proposta é oferecer uma tática, através do diálogo, para combater e resistir ao discurso de ódio que está impregnado nos meios de comunicação.

10. Que seja em segredo (Ana Miranda) – L&PM Pocket, 128 pgs.

Compilação feita pela escritora Ana Miranda de poemas escritos por freiras e para freiras brasileiras e portuguesas nos séculos XVII e XVIII. Como ocorria normalmente naquela época, as freiras não entravam em conventos por vocação, e sim por conveniência da família – principalmente se a moça era rebelde. Eram também as mais instruídas. Ana Miranda encontrou em sua pesquisa poemas passionais, sensuais e até eróticos. “Todas as mulheres solteiras interessantes estavam nos conventos”, diz a organizadora.

11. O irmão alemão (Chico Buarque) – Companhia das Letras, 240 pgs.

Publicado no final de 2014, o quinto romance do compositor brasileiro e também candidato ao prêmio Jabuti 2015 traz a história verdadeira de um irmão alemão do qual Chico Buarque tomou conhecimento já adulto. No romance, o adolescente Francisco Hollander descobre acidentalmente que seu pai havia estado com uma mulher na Alemanha, antes do casamento, e lá gerou um filho. A partir daí, parte em busca desse irmão, em meio a devaneios sobre o seu destino, e relações familiares um tanto quanto complicadas, com um pai bibliófilo ausente.

12. As rãs (Mo Yan) – Companhia das Letras, 496 pgs.

A palavra “wa”, em chinês, pode significar tanto “rã” quanto “bebê”. Neste romance do vencedor do prêmio Nobel em 2012 acompanhamos a trajetória de Girino, cuja tia é uma parteira altamente instruída – a primeira em sua vila a estudar obstetrícia – e também “aborteira” devido à política do filho único na China. A história perpassa sete décadas e tem cenas memoráveis como a que Girino e outras crianças comem carvão e acham o sabor delicioso. A escrita de Mo Yan é frequentemente comparada à do colombiano Gabriel Garcia Marquez, devido ao realismo fantástico de suas histórias.

13. Primeiras Vezes (Sibylline) – Nemo, 112 pgs.

Esta graphic novel traz dez histórias, escritas por Sibylline e ilustradas por dez artistas franceses, sobre primeiras vezes na perspectiva da mulher. A sexualidade feminina é explorada de diversas maneiras, desde a perda da virgindade a fetiches como voyeurismo, ménage à trois e até mesmo uma história contada do ponto de vista de uma boneca inflável dotada de consciência.

14. Turismo para cegos (Tércia Montenegro) – Companhia das Letras, 224 pgs.

Romance de estreia da cearense Tércia Montenegro, conta a história de Laila, jovem estudante de artes plásticas que, devido a uma doença generativa, começa a se tornar cega, e Pierre, funcionário público que se apaixona por ela e deve aprender a se adaptar ao cotidiano que faz parte da vida da moça. O livro, cuja escrita em prosa é repleta de poesia, tem sido bem avaliado pela crítica.

15. A vida dos elfos (Muriel Barbery) – Companhia das Letras, 288 pgs.

A vida dos elfos é o novo romance da escritora francesa Muriel Barbery, que ficou famosa pelo divertido romance filosófico A elegância do ouriço. Ao contrário do romance anterior, nesse Muriel Barbery se aventura na fantasia, contando a história de duas meninas órfãs que estão de alguma maneira ligadas entre si e conectadas com a natureza.

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