´Meu pai foi assassinado pela CIA’

A longa luta de Eric Olson para esclarecer a morte do pai, cientista da CIA

Olson

No dia 28 de novembro de 1953, um homem caiu do décimo-terceiro andar do hotel Pennsylvania, em Nova York. Seu nome era Frank Olson, e ele era um cientista especializado em armas químicas. Olson, 43 anos, trabalhava para a CIA e para o exército americano, e a morte foi oficialmente considerada um suicídio. Olson, segundo a CIA, estaria sob forte estresse.

Cinquenta e nove anos depois, os dois filhos homens de Olson, Eric e Nils, acabam de entrar na justiça com uma ação contra o governo americano na qual acusam a CIA de haver executado seu pai numa espécie de queima de arquivo. “As evidências de que papai foi na verdade morto pela CIA são muitas”, afirma Eric.

Ele tinha nove anos quando seu pai morreu. “Não foi só papai que morreu”, diz ele. “A nossa família foi completamente destruída.” A morte de Olson é um dos maiores mistérios não decifrados da história criminal moderna americana.

Em 1975, mais de vinte anos depois de sua morte, a viúva Alice leu no Washington Post, no meio de uma investigação sobre ações ilegais da CIA, uma menção a ele.

Documentos obtidos pelo jornal mostravam que Olson morrera, estranhamente, depois de tomar uma bebida na qual fora posta uma dose de LSD.

A família se movimentou, e exigiu explicações do governo. Poucos dias depois, o presidente Gerald Ford recebeu na Casa Branca a viúva e os órfãos. Algum tempo mais tarde, a família recebeu da CIA 750 000 dólares (em dinheiro da época) como uma espécie de reparação.

Aos poucos, foi emergindo uma história diferente. Poucos dias antes de morrer, Olson dissera à mulher que tinha cometido um “erro terrível”, e que iria deixar a CIA.

Aparentemente, ele ficara chocado ao ver interrogatórios de alemães feitos pela CIA e seu congênere britânico MI6 com base nas armas químicas em que ele próprio trabalhava. Achava-se que o LSD, por exemplo, poderia induzir presos a falar tudo que lhes fosse perguntado.

Eram dias em que a CIA estava obcecada com armas químicas. A inspiração viera dos nazistas na Segunda Guerra. Os alemães de Hitler haviam elevado tais armas ao estado de arte brutal. Derrotada a Alemanha, um cientista nazista foi poupado da execução no Tribunal de Nurembergue, que julgou os criminosos de guerra, e passou a trabalhar para a CIA, na equipe da qual Olson fazia parte.

Olson teve uma crise de consciência, e, como mostram documentos na época confidenciais, passou a ser considerado um risco para as operações secretas da CIA. Era o apogeu da Guerra Fria que colocou de um lado os Estados Unidos e de outro a Rússia. O caso foi objeto de um livro chamado “Um erro terrível: o assassinato de Frank Olson e os experimentos da CIA na Guerra Fria”, do escritor e jornalista investigativo HP Albarelli Jr.

Numa das experiências testemunhadas por Olson, prisioneiros alemães foram submetidos a armas químicas pensando que estavam testando medicamentos contra resfriado. Morreram todos.

Hoje com 62 anos, seu filho Eric dedicou a vida a tentar resolver o enigma da morte do pai. Jamais se acertou na vida profissional e nem na vida amorosa. Os que o conhecem dizem que ele só fala no “assassinato” do pai.

“As evidências demonstram que meu pai foi morto quando estava sob guarda da CIA”, diz Eric. “Desde então, eles têm mentido para nós, escondendo documentos e mudando a história ao sabor dos acontecimentos.”

 

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